segunda-feira, 13 de março de 2023

E O OSCAR VAI PARA ....

 

Na noite de 12/03, foi promovida a entrega das estatuetas anuais do cinema norte americano, considerada a “festa do cinema” em que pese outros eventos promotores dessa arte e em níveis considerados mais valorizados. Se antes era possível chamar de “festa de Hollywood” a entrega do Oscar, presentemente não é mais possível essa designação. Houve inclusão de filmes de produção internacional, nas categorias específicas e muitas premiações que equivaleram reformular a dimensão da esfera nacional norte americana, no convívio do mercado de produção, distribuição e exibição. Sim, esse aspecto é que agora determina quem é quem nas indicações dos filmes, por meio de uma seleção colegiada multidividida de eleitores e selecionadores para essa noite esperada por milhões de cinéfilos e, principalmente, por espectadores médios mundiais.

As indicações deste Oscar 2023 seguiram a fórmula de anos recentes em que o cinema asiático, europeu, africano e de outras regiões trouxeram sua significativa presença para “encantar” esse mercado exibidor norte-americano, porque para concorrer nesse evento e ao menos ser indicado para receber essa estatueta, há regras datadas e específicas que dizem respeito em especial aos produtores. Sabe-se que o sistema da arte sob o capitalismo não foge à regra de se constituir um produto mercantilizado e exigente das regras de distribuição.

Assisti, com Pedro Veriano, a maioria dos indicados ao Oscar deste ano. Marco Antonio Moreira, nos emprestando cópias em DVD dos filmes lançados e, também assistidos nos canais streaming facilitadores atuais desses lançamentos. Tecnologias e narrativas interessantes que nos faziam optar sobre este ou aquele vencedor na tal noite do Oscar.

A 95ª cerimônia de entrega dos Academy Words foi longa. Com a lista dos indicados na mão e a caneta ao lado, discutia com o Pedro e com o Marco Moreira (via WhatsApp), as premiações que iam sendo reveladas na abertura dos tradicionais envelopes sob a guarda de atores e atrizes, algumas caras novas nesse mundo do cinema. E nessa estratégia chegamos até a madrugada deste 13/03.

Em dezembro do ano passado assisti, no Amazon Prime Video, a “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo” ( EUA, 2022, 2h19min) escrito e dirigido por Daniel Scheinert e Daniel Kwan. Houve uma sensação inicial de estranhamento pela narrativa em que milhares de partículas se interpenetravam, interagiam, outras ficando estáticas, ou se movimentando loucamente. Esse processo incomoda aos que estão acostumados com a “linguagem certinha” sobre um tema. Que tema? Perguntei a mim mesma. E revi o filme. Fui juntando algumas ideias sobre ele, sobre as personagens, sobre uma em particular. E fui gostando do que assistia.

Não li nenhuma análise crítica ao filme porque eu precisava das minhas próprias ideias para a demonstração pessoal sobre um assunto que o cinema estava dizendo – é difícil  de entender – e eu acreditava estar vivendo aquela realidade. Na ficção científica? Não era o caso. Emergiu a figura de Evelyn (Michelle Yeoh), uma mulher, que administrava uma lavanderia familiar. Nessa situação, outras tarefas se interpunham nas condições de vida dela, a administração da casa, onde os cuidados com todos se trançavam entre suas próprias despesas em confronto com as notas fiscais que teria que encontrar sobre os custos na empresa, o cotidiano da família e as diversas decisões que tinha que tomar em nome de sua vida afetiva, de seus preconceitos, do tempo para negociar suas dívidas com a auditora implacável da receita (Jamie Lee Curtis) em torno da papelada comercial que nem sempre estava conforme as demandas da fiscalização.

Esse multiverso que desdobrava a partir daquelas cenas se confundiam com um jogo como se constituíssem em universos paralelos que estavam em circulação no cotidiano de Evelyn. Ela priorizava tudo, defendia seu ponto de vista, mas recorria contraditoriamente em novas pegadas a caminho. O idoso, a quem alimentava e medicava, o marido que expunha algumas ideias , eram aceitas, mas ao mesmo tempo  se tornavam inúteis e  havia a recomposição da atitude. Revisão do preconceito homofóbico, do etarismo, do amor, de todas as circunstâncias que escravizam , que destroem a liberdade, que desmontam o afeto.

Então, vejam minha visão se integrava à de milhões de mulheres que vivem nesse multiverso. Não era um filme de ficção científica, mas a evidencia que estas condições em que o caos se ordena são vividas por nós, mulheres.

Estou eu aqui, apaixonada pelo filme. Porque trata de um multiverso feminino que espelha o fio das vivências das mulheres.

Vou re-re- ver o filme. Porque tudo em todo o lugar ao mesmo tempo, é a nossa prática cotidiana.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário