quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A HONRA FERIDA


Imagem de "Corações Sujos", de Vicente Amorim
 
Vicente Amorim é um novo diretor do cinema brasileiro, pode-se chamar, “da retomada”, e foi responsável por dois bons filmes: O Caminho das Nuvens (2003, 87 min.) e “Um Homem Bom” (2008, 98 min.). Seu mais recente trabalho para o cinema “Corações Sujos” (2011, 90 min.), baseia-se no livro homônimo de não ficção de Fernando Morais, com roteiro de David França Mendes. “Corações Sujos” é o nome que alguns japoneses, confinados em um campo paulista durante a 2ª. Guerra Mundial deram aos compatriotas que logo acreditaram na rendição de seu país às tropas aliadas em 1945, pelo tratado de rendição assinado pelo imperador japonês Hirohito com o general americano Douglas MacArthur. Como se vê, a colonia de imigrantes ficou dividida em dois grupos: os que acreditavam no fato noticiado e os que seguiam a ideologia da fortaleza do impéro japonês no conflito, considerando a vitória do Japão. Então, os “traidores da pátria” ou “corações sujos” passaram a ser caçados.
Compondo um elenco quase que inteiramente de atores de origem japonesa, salientam-se excelentes interpretações como Tsuyoshi Ihara que protagoniza Takashi o fotógrafo guinado a carrasco de quem não tinha coragem de fazer “harakiri” e continuar acreditando na rendição do país. A atriz Takako Tokiwa vive a professora Miyuki, o ponto que se pode dizer romântico da história. E, especialmente, o veterano Eiji Okuda (67 filmes), como o coronel Watamabe, o mais cético com relação ao resultado da guerra.
O filme, que exibe um cuidado cenográfico muito bom, teve a maioria das locações em Paulínia( cidade que hoje abriga um polo de produção do cinema nacional e também um festival de cinema). Um dos pecados do filme (e não é só a minha opinião) é o excesso na trilha sonora, com a música entrando forte em sequencias onde até o silêncio teria melhor efeito. A abertura, por exemplo, recebe esse efeito, sem dúvida para um extrair um apelo emotivo que por pouco não enveredou pelo melodrama.
Não conheço o livro original e não sei até que ponto foi tratada a vida intima dos personagens focalizados. Mas nada invalida o trabalho do diretor. Amorim é um dos nossos cineastas com acesso a indústria cinematográfica internacional e nos seus trabalhos, até agora, tem se mostrado eficiente na colocação de uma linguagem que atende ao grande público sem perder substância. Nessa cumplicidade entre literatura e cinema há um jogo que poucos reconhecem. Cada vez que assisto a esse casamento, lembro as análises de Julio Plaza (2008) sobre tradução intersemiótica, onde o autor aborda o diferencial entre as duas liguagens e signos, apontando o fato de essa adaptação da literatura para o cinema deixar de ser uma obra só, mais duas que remetem a novos entendimentos sobre a terceira perspectiva. Creio que foi isso o que se deu com o cinema de Amorim & as cobranças que fazem dessa interlocução.
       Em “Corações Sujos”, a opção por câmera manual e closes, especialmente os que aproveitam a tela panorâmica e colocam um rosto no canto de um plano com acontecimentos paralelos correndo no outro espaço da tela, divergem do que me pareceu muito influente: o cinema de Masaki Kobayashi, diretor de “Harakiri”. No caso, a predileção ficava nos planos fixos e enquadramento médio (célebre a cena em que o samurai que desiste do suicídio é guinado a fazê-lo para salvar seu filho menor que está sem condições de ter um remédio pelo fato de o pai não ter recursos para comprá-lo). Em “Corações Sujos” o enfoque é a honra nacional ultrajada, ou a xenofobia em grau de fanatismo. Para cobrir esta situação, a exigência cabe mais nos intérpretes. E principalmente quem não acredita que o imperador tenha capitulado, mesmo vendo a fotografia dele com o General Mac Arthur aceitando a perda da guerra. Esta foto, alías, foi reformulada no laboratório do personagem Takaswhi com legendas que diziam o contrário, ou seja, que Mac Arthur estava ali assinando a rendição dos norte-americanos.
O enfoque brasileiro é interessante observar ao conhecer que o Brasil entrou na guerra contra o Eixo (Berlim, Roma, Tóquio) quando navios brasileiros foram afundados por submarinos alemães. Os soldados do Brasil foram combater na Italia contra os alemães. O Japão entrou no rol dos inimigos desde que atacou de surpresa os EUA em 1941 quando a guerra na Europa já somava dois anos.Mas os imigrantes tanto alemães como italianos e japoneses foram cerceados em nosso país. O filme “Corações Sujos”mostra o fato no sudeste. É historicamente importante e narrado em bom cinema. Merece ser visto.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

E O TERROR CONTINUA


 
 

O centenário Cinema Olympia se estimula na exibição de seus programas  depois de um mês de revisão e reparos em seus aparelhos de ar condicionado. E volta ao ciclo de filmes de terror interrompido em julho. A coluna recebeu inúmeras mensagens sobre o assunto, muitas confessando que os filmes do gênero (terror) da antiga produção, ao serem exibidos hoje, fazem rir. Talvez porque o que Peter Bogdanovich mostrou em “Na Mira da Morte”(Targets/1968) seja correto: os velhos monstros tornam-se obsoletos quando jovens, como o personagem Bobby, do filme (Tim O’Kelly), saem por ai matando pessoas com revolveres ou rifles.

Mas foi tentando invocar o medo que os expressionistas criadores do cinema na Alemanha entre duas guerras estabeleceram suas narrativas. O filme de hoje, “Nosferatu”(1922) é um dos marcos do expressionismo e se baseia na obra de Bram Stoker (Dracula) embora oculte isso. Ficou na memória do publico a imagem de Max Schrek como o vampiro que ataca uma jovem em um castelo. O ator foi introduzido nas artes cênicas por Max Reinhardt sendo casado com a atriz Fanny Schrek. Atuou em cerca de 45 filmes até sua morte em 1936, aos 53 anos. Sua máscara iluminada por Fritz Arno Walker com um jogo de sombras que evidenciavam a maquilagem deformante ganhou, no correr dos anos, diversas citações. Houve uma versão de “Nosferatu – O Vampiro da Noite” (Phantom der Nacht 1979) por Werner Herzog. Em “A Sombra do Vampiro”(Shadow of the Vampire/2000) de E. Elias Merhige, a personagem do filme de 1922, dirigido por F. W. Murnau mereceu uma espécie de biografia, na interpretação de Willem Dafoe.

 “Nosferatu” ficou na historia do cinema como um dos marcos do movimento expressionista que veio da pintura e chegou à nova arte no tempo em que outros movimentos artísticos também chegaram como o surrealismo.

Ver ou rever o filme é uma aula de cinema.

E a mostra vai proesseguir amanhã (19, quarta feira) com outro clássico: “A Noiva de Frankenstein”(Bride of Frankenstein/1935) de James Whale. É interessante observar, neste caso, que o diretor, um perfeccionista que realizou, nos estúdios da Universal, a versão ainda hoje mais aplaudida de “Frankenstein” (com base no livro de Mary Shelley), aceitou elaborar a sequência, com roteiro de 10 pessoas, inspirado numa alusão da própria autora do famoso romance, dispondo-se a isso porque o produtor Carl Leammle Jr. deu-lhe franca liberdade criadora. A crítica francesa considera que “A Noiva de Frankenstein” tem a mesma equivalência de qualidade quanto “Frankenstein”(1931). E o ator Boris Karloff foi outra vez convocado para protagonizar “A Criatura”, contracenando com a atriz Elsa Lanchester como a personagem-título (Elsa era esposa do ator Charles Laughton).

Uma obra cultuada que poucos já assistiram. É um dos programas mais importantes da mostra que ora se realiza entre nós.

Para a 5ª Feira (21/09) abre-se espaço para uma comédia. E não é uma comédia qualquer. ”A Dança dos Vampiros”(The Fearless Vampire Killer/1967) é um marco na carreira do conhecido cineasta & ator Roman Polanski. Não só por ser um de seus melhores momentos atrás e adiante das câmeras, mas porque sua esposa Sharon Tate é a principal interprete feminina e faria só mais 3 filmes antes de ser assassinada, em agosto de 1969, pela gangue de drogados conhecida como “Familia Manson”. Trata de um professor universitário, Abronsius , especialista em vampiros, que decide viajar até a Transilvânia, ao lado de seu discipulo Alfred, com o objetivo de primeiramente conhecer tudo sobre vampiros e, depois, combatê-los. Há um rumo inesperado nos objetivos do professor e que o afastam de seu alcance.

No filme, Polanski personifica o assistente do professor e caçador de vampiros, muito medroso. A culminância é um grande baile que reune todos os tipos da espécie. Mostra que o diretor de “O Bebê de Rosemary” também funcionou como comediante.

Há outros exemplares dessa mostra a serem comentados oportunamente. As sessões serão sempre as 18h30 com ingresso franqueado.

domingo, 16 de setembro de 2012

PARANORMAN


 "ParaNorman" filme que utiliza a técnica “stop motion”

Ficou marcada, na memória do público, a frase proferida pelo menino Cole Sears (Haley Joel Osment) em “O Sexto Sentido”(The Sixth Sense/EUA,1999) de M. Night Shyamalan: “-Eu vejo gente que já morreu”. Agora em “ParaNorman”(EUA,2012) é o menino Norman, personagem que serve ao trocadilho do titulo (“ParaNormal”) que vê e ouve mortos. O pai não aceita saber dessas histórias, a mãe protege-o, mas, no colégio, o garoto é alvo de piadas e o “bulling” corre solto onde o “freaks” é a melhor denominação que recebe aliada aos atos violentos. A faculdade paranormal ganha maior dimensão quando a pequena cidade onde o personagem mora é alvo da maldição de uma bruxa que provoca a aparição de zumbis (mortos que saem das sepulturas), aterrorizando a população. Sem surpresas, o roteiro do diretor Chris Butler investe Norman da condição de guardião da comunidade e quem vai livrar a região dos estranhos invasores .

A narrativa é construída na técnica “stop motion” e o roteirista Butler é um dos diretores de arte do muito interessante “Noiva Cadáver” (2004) de Tim Burton. Cabem elogios a esse aspecto formal. Pena que os espectadores de uma sala no centro de Belém (shopping Boulevard) tenham sido privados de uma melhor apreciação da técnica usada, acrescida da 3D, por culpa da pouca luminosidade do projetor digital. Mas o que impressiona no novo trabalho da empresa “Laika” são os meandros da trama, a defesa de uma sinceridade de propósitos e um enfoque hoje tão importante para a humanidade: o reconhecimento da diversidade social.


Norman expõe os meandros de sua vivência considerando a sua  verdade. Na primeira sequência vê-se o personagem conversar com uma mulher idosa e conta aos pais que tem a avó a seu lado. Estes reclamam que ela já havia falecido. Mesmo ameaçado de violência por colegas e as arbitrariedade e chacotas da própria família, o menino continua afirmando que vê e fala com mortos. E quando chegam os zumbis é Norman quem vai enfrentá-los tendo conhecimento, segundo um dos tipos, que eles “haviam cometido um erro”(condenaram à morte uma menina que tinha os mesmos dons). Os mortos que circulam na cidade estão arrependidos do ato e querem seguir seu destino. Como a população da cidade só pensa em eliminá-los, o pequeno Norman é quem vai interferir a favor desses espíritos disformes que ganham as ruas. Mas é no encontro com uma bruxa que teria amaldiçoado o lugar que o garoto vai se destacar. Uma sequência de luzes e cores, com o personagem sendo jogado por penhascos enfrentando focos de chamas, tem seu final quando a “bruxa” se identifica como a garota desprezada pelo mesmo problema que ele enfrentou: a comunicação com o mundo sobrenatural. E ela já é um espírito desencarnado.

“ParaNorman” demonstra que não se deve em hipótese alguma cercear a criatividade da criança e tampouco criticar sonhos e/ou verdadeiras demonstrações de paranormalidade. Em resumo: o filme é contra qualquer tipo de preconceito e mostra que a diversidade é uma condição que a pessoa humana deve inscrever em seu vocabulário sem medos ou distorsões. Idéia tão presente no momento atual e extremamente saudável na condução dos direitos humanos que na tela tende a explorar o gótico, com as imagens de fantasmas & corpos deteriorados seguindo a narrativa própria ao proposto no roteiro. É possivel que haja choque em um público de crianças. Entretanto, na sessão que estive não as vi sair no meio do filme. Introjetar a arte das imagens desse plano de criação aliada à discussão sobre a diversidade certamente é uma maneira ousada e bastante significativa, a meu ver. Quantas dessas crianças utilizam os jogos de vídeo onde a violação de sua conscientização se encerra em atos de violência? Isso, sim, é terror. Há casos de pessoas que registraram medo retardado ao asistir a “Branca de Neve e os 7 Anões” no final dos anos 1930. Mas os tempos são outros e a própria TV “vacina” meninos e meninas de “filme de terror”. Tim Burton sabe disso. E certamente seu ex-assistente que agora é diretor. Que demonstrou utilizar a técnica em função de uma discussão atual. Através de “NorMan” pode-se iniciar uma discussão salutar contra as ações de discriminação e preconceitos usando a arte das imagens reveladoras de tantos tipos.

Mas é preciso que a empresa Cinépolis melhore a luminosidade nos filmes digitais para que seja possivel aproveitar melhor a narrativa do filme.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CINEMA OLYMPIA RETORNA COM A PROGRAMAÇÃO


 

Imagem de A MORTA VIVA”(1943)
 

FESTIVAL DE FILMES DE TERROR – 3ª SEMANA

Dia 15/09 – “SANGUE DA PANTERA”(1941) de Jacques Torneur

Sinopse: Jovem com constantes alucinações com felinos descobre ser descendente de um grupo de mulheres-pantera à beira da extinção. Seu lado pantera começa a ficar mais saliente quando entra em contato com fortes emoções, colocando em risco o casamento e a vida das pessoas que a cercam. Refilmado por Paul Schrader em 1982.

 

Dia 16/09 – “A MORTA VIVA”(1943)

Sinopse: Enfermeira é contratada para cuidar da mulher de um poderoso fazendeiro das Índias Ocidentais e, conforme situações estranhas vão se acumulando, passa a desconfiar de que ela possa ser uma morta-viva, procurando ajuda em rituais de vudu para tentar curar a moça.

 

FESTIVAL DE FILMES DE TERROR - 3ª SEMANA

CINE OLYMPIA

DE 15 À 16/09/12

HORÁRIO : 18:30H

ENTRADA FRANCA

FILMES INADEQUADOS PARA MENORES DE 12 ANOS

 

FESTIVAL DE FILMES DE TERROR – 4ª SEMANA

Dia 18/09 – “NOSFERATU” (1922) de F. W. Murnau

Sinopse: Nosferatu é uma espécie de adaptação não-autorizada do romance Drácula, de Bram Stoker. Todos os principais elementos e estrutura linear da história foram mantidos, mas aqui Drácula chama-se Orlok. O filme é possivelmente o principal representante do movimento cinematográfico conhecido como Expressionismo Alemão, e influencia inúmeros diretores até os dias atuais, com seu jogo de luz e sombra.

 

Dia 19/09 - “A NOIVA DE FRANKENSTEIN””(1935)

Sinopse: O filme começa de onde o original, de 1931, terminou: Frankenstein escapa do cerco ao moinho vivo, enquanto Dr. Frankenstein tem sua noiva sequestrada por outro lunático cientista. O objetivo dele é convencer o doutor a criar uma companheira para o monstro.

 

Dia 20/09 – “A DANÇA DOS VAMPIROS”(1967) de Roman Polansky

Sinopse: O Professor Abronsius (Jack MacGowran) é um especialista em vampiros que vai para a Transilvânia, acompanhado do seu discípulo Alfred (Roman Polanski), para aprender mais sobre eles. Porém, lá chegado, conhece alguns segredos que irão de frente com suas mais antigas metas...

 

Dia 21/09 – “OS OUTROS” (2001) com Nicole Kidman

Sinopse: É sobre uma mansão mal-assombrada em um local isolado. Grace (Nicole Kidman) mora lá com seus dois filhos, que possuem uma doença e não podem ser expostos à luz solar. Todos os lugares da mansão são, portanto, mergulhados na escuridão total, mesmo de dia, através do uso de pesadas cortinas. A sensação é de uma noite infinita, pelo menos para as duas crianças que não podem sair de casa de dia. Seu marido está desaparecido por causa da guerra, e ela vive uma vida infeliz por causa da espera pelo seu retorno e das dificuldades que a doença de seus filhos proporcionam.

 

Dia 22/09 – “A MOSCA”(1986) de David Cronenberg

Sinopse: Seth Brundle, interpretado por Jeff Goldblum, é um cientista que, em sua nova criação, inventa uma máquina capaz de teletransportar matéria. Quando vai testar seu invento em si mesmo, acaba permitindo que uma mosca entre consigo na cabine e, assim, tem seu gene misturado com o do inseto, iniciando uma lenta e dolorosa mutação.

 

Dia 23/09 – “O ENIGMA DO MAL”(1982) com Barbara Hershy

Sinopse: Los Angeles, 1976. Uma entidade invisível estupra várias vezes a indefesa Carla Moran, mas ninguém crê em suas histórias. Ao ser submetida a testes conduzidos por especialistas em fenômenos paranormais e psicólogos, comandos pelo pesquisador Phil Sneiderman, fica claro que o que ela diz não é produto de uma mente doentia.

 

FESTIVAL DE FILMES DE TERROR - 4ª SEMANA

CINE OLYMPIA

DE 18 À 23/09/12

HORÁRIO : 18:30H

ENTRADA FRANCA

FILMES INADEQUADOS PARA MENORES DE 12 ANOS

 

PROGRAMAÇÃO MONITORADA

"Michael" (2011) dirigido por Markus Schilenzier.

Belém tem hoje 27 cinemas comerciais. Desde a chamada “cena muda " não havia tantos espaços desses. Entretanto, os programas não são tão numerosos. Em cartaz, por exemplo, mais de 10 salas exibem “Os Mercenários 2” e o incrível“Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros”. A variedade do mês, o filme francês“Intocáveis”(2011), estreou em duas sessões noturnas, numa sala do centro e, na 2ªsemana, ganhou apenas uma sessão de 21h50 (os que não são notívagos perdem a chance de assistí-lo).

O chamado “circuito extra” está desfalcado este mês com a reforma do Cine Libero Luxardo (não se sabe até quando) e do Cine Olympia (que segundo informações termina na próxima semana). Resta, então, o Cine Estação, com filmes japoneses em DVD ligados a uma temática específica (a reconstrução do país depois de um tsunami), o IAP (Cine Clube Alexandrino Moreira) funcionando quinzenalmente e a Livraria Saraiva, estes programados pela ACCPA.

O cinema doméstico dá possibilidade de assistir a muitos programas em DVD. Não fosse assim e certamente estaria desatualizada na arte que me atrai e que me serve para um jornalismo de 40 anos. Nesse quadro, me surpreendo quando consigo assistir (através de download efetuado por amigos) obras que nem foram cogitadas para os cinemas da cidade. Isto sem falar no que a Fox Video recebe e o que se pode encontrar para compra em livrarias e/ou em lojas especializadas do sudeste.

Assisti, por exemplo, um excelente filme alemão, “Michael”(2011) escrito e dirigido por Markus Schilenzier. Trata de um pedófilo. Ele sequestra uma criança (crime que não se vê) e a mantém prisioneira em sua casa (é um menino de aproximadamente 9 ou 10 anos). O abuso sexual é sintetizado numa cena em que ele mostra o pênis para o garoto e pergunta: ”-Você quer que ele ou uma faca lhe penetre". O menino responde: “A faca”.

A narrativa lenta focaliza a rotina do pedófilo e até mesmo uma sua investida para ganhar um substituto de sua presa (fato percebido pelo pai do outro menor). E quando a criança presa adoece, o criminoso, expressa uma atitude mórbida, ao cavar uma possível sepultura para se livrar do que lhe pode incriminar.

O filme não faz concessões e termina em aberto para que o espectador sinta ainda mais o drama focalizado: a sequência final em que mãe e irmão de Michael estão na casa deste organizando as coisas e a mãe descobre uma porta fechada. Ao abrí-la, o interior recebe a luz externa que incide na cena.

Outro trabalho interessante é “Léa” (França, 2011), de Bruno Rolland. Neste filme evidencia-se a cuidadosa pintura de um tipo sofrido, uma jovem que cuida avó, é empregada num bar, estuda, e ainda faz strip-tease de noite em uma boate. Todos esses afazeres em nome de uma liberdade que ela está sempre falando, mas na realidade sentindo fugir nas obrigações que cerceiam a sua capacidade de sorrir.

Cabe a atriz Anne Azoulay a difícil tarefa de compor a personagem-título. O roteiro da própria atriz foge de uma narrativa de telenovela. Tanto que prefere ser reticente quando se pensa em um rumo insólito na carreira da jovem focalizada. Ela sempre surpreende e o resultado como cinema também demonstra o talento de estreantes (o diretor, que realiza o seu primeiro longa metragem, e da roteirista). Produção (como “Michael”) do ano passado. No plano subjetivo, sem ostentação de discurso psicológico, mas externalizado pelas ações da jovem, observa-se uma intensa solidão vivenciada. A pulsão que determina seu desejo de escapar daquele jogo corriqueiro explora a busca da felicidade. Aonde? No sexo?

“Columbus Circle”(EUA,2012) é um filme de George Gallo , diretor de “Virado pra lua”(EUA, 1991), “Mais do que voce Imagina” (2008) etc. Os amantes de historias policiais têm no filme um interessante programa. O enredo trata de uma herdeira reclusa que se apieda de uma vizinha de apartamento no hotel que dá titulo ao filme quando a vê espancada pelo amante. Mas há um plano secreto que persegue a fortuna que ela possui. Plano bem engendrado que merece toda a atenção do espectador para não perder detalhes. Claro que é ficção a lembra algumas tele séries, mas é o tipo do filme que prende a atenção. Mesmo assim, chegou só em DVD no Brasil.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AMIGOS VELHOS DE GUERRA


 
 
Sylvester Stallone & seus companheiros em "Mercenários 2"

Se há algo válido em “Mercenários 2” (Expendables 2/EUA 2012), ou mesmo “Mercenários 1”, é o fato de reunir atores idosos em tempo de aposentadoria. Neste segundo filme de uma franquia que promete mais exemplares (já discutem o inicio de novas filmagens), respondem presente ao convite do produtor co-roteirista e ator Silvester Stallone (ele próprio um atleta sessentão), o ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, o ex-comediante e ator dramático Bruce Willis, o grandalhão Chuck Norris, outro grandalhão Dolph Lundgren, e mais Jet Li (das artes marciais), Mickey Rourke (das aventuras) e o atleta do caratê Jean-Claude Van Damme . O grupo soma, aproximadamente, 450 anos de idade (o mais velho é Chuck Norris, com 66). Todos brigam. E o filme, dirigido por Simon West (de “Lara Croft Tomb Rider”) tem sequência inicial com uma briga em grande estilo. O grupo de mercenários ataca uma posição inimiga (nem interessa muito quem é quem) e comemora a vitória num bar perto de casa. Mas não demora e o pessoal da CIA encarrega Barney Ross (Stallone), o líder dos mercenários, a procurar um avião caído na região que fazia parte da antiga União Soviética. Ele reúne os amigos e parte para a missão. Só que são obrigados taticamente, a levar consigo uma mulher, a chinesa Maggie (Nan Yu). Ela sabe detalhes da missão e o exato lugar para onde devem ir. Tudo segue no esperado, o achado é rápido, mas logo surgem homens interessados nos escombros do avião e, na ameaça ao grupo de Ross, acabam matando um figurante desse grupo (Mickey Rourke). O caso não termina aí e os mercenários vão se vingar da morte do colega atacando o inimigo em sua área.
Se o filme consome cerca de 110 minutos de projeção, desse tempo mais de 50 são dedicados à ação. É muito tiroteio vindo de diversos tipos de arma. E se um avião do grupo de vingadores/mercenários cai na mata, em dado momento, é uma alternativa propositada que não deixa ninguém ferido. Aliás, as balas não acertam nenhum dos figurantes. Repete-se a lógica que vem desde nossos avós de que o “mocinho” é sempre imune aos tiros do “bandido”, ou melhor, as balas deste são “alérgicas” às peles dos “mocinhos”.

O grande trabalho artesanal do filme cabe ao pessoal que coordena CGI, ou seja, introduz cenas armadas digitalmente dentro de planos. Hoje é possível apresentar carros explodindo, edifícios desabando, uma série de desastres que antes ficavam a cargo de miniaturas nem sempre convincentes. “Mercenários 2” é bem um videogame sem interatividade. O espectador é peça passiva do jogo em que sabe como termina, mas é convidado, mesmo assim, a participar torcendo pelos tipos construídos para gerar simpatia (mesmo na analogia com outros filmes desses tipos).
O divertido é o arsenal de piadas em gags e em ditos. Há uma alusão a “museu”, como se a turma confessasse que sabe de seu currículo. De uma feita, o personagem de Schwazegger diz a Stallone: “-E o próximo? É Rambo ?” Também há uma cobra hilária e a nostalgia de velhos inimigos, especialmente da guerra fria entre EUA e URSS.

Obviamente não é filme para se prestar atenção e nem é programa para cinéfilo. É pão e circo, ou seja, produto a ser consumido por numerosa plateia que pede apenas diversão ligeira. Infelizmente, para quem preza a arte cinematográfica, essa irresponsabilidade artística impulsiona o circulo vicioso de render mais e atender mais. É cinema-comércio. Simplesmente isso.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

JOVENS ADULTOS


Charlize Theron  em "Jovens Adultos". No DVD. Interessante, 

A roteirista Diablo Canyon volta a se encontrar com o diretor Jason Reitman com quem trabalhou no bem sucedido “Juno” (2007) para um enfoque muito curioso, posto que sem apelos dramaticos corriqueiros em “Jovem Adulto” (Young Adult/EUA,2011). O filme por aqui passou direto para o DVD. Traz Charlize Theron como a escritora Mavis Gray, divorciada e amargurada com a vida que leva e com a queda de venda de seus livros (é uma série sobre tema infantojuvenil). Ela retorna a sua cidade natal após receber a foto do filho de seu ex-namorado, depois de muitos anos, na esperança de encontrar afeto nas antigas companhias, seja dos colegas de escola seja, principalmente, do primeiro namorado, Buddy (Patrick Wilson), hoje casado e pai do recém-nascido cuja foto a estimulou à revisão da antiga vida.

O encontro pretendido não gera o relacionamento intimo de antes como pensava conseguir a escritora. Ela tenta de todas as formas (re)seduzir Buddy, mas nada consegue. Carinho ela só encontra em outro colega, o obeso Matt (Patton Oswaldt) que fora vitima de bulyng quando estudante e ainda exibe cicatrizes da violência.

Charlize tem, certamente, um dos melhores desempenhos (há, ainda, Monster”, 2003 e “Terra Fria”, 2006) de sua carreira, e a secura com que o roteiro passa para a tela nas mãos de Reitman, torna o filme uma exceção no gênero que hoje se rotula de comédia (ou drama) romântico. É, na verdade, uma exploração introspectiva de exceção na indústria de Hollywood. Talvez por isso não tenha feito carreira expressiva nos cinemas comerciais.

“O Enigma do Outro Mundo”(The Thing/EUA, 2011)é mais uma versão da história que chegou pela primeira vez às telas num filme produzido por Howard Hawks e dirigido por Christian Niby, em 1951. Aliás, foi o primeiro filme de longa metragem a tratar dos discos voadores. Um objeto não identificado cai no gelo do polo sul próximo a uma estação de pesquisas. Içado, surge um monstro vegetal que na primeira versão caracterizava-se pela facilidade com que se reproduzia, bastando plantar qualquer parte de seu corpo. Nesta versão, dirigida por Mathijs Van Heijningen Jr., o interessante é que as células do ET podem penetrar nas dos seres humanos e com isso copiar esses seres. Dessa forma, os cientistas da estação passam a duvidar de quem é quem. O processo da dúvida gera um efeito que transcende a aventura de ficção-cientifica. O resto é mesmice. E tanto que não alcançou grande repercussão no mercado exibidor. Por aqui passou ao largo dos cinemas.

“Além da Estrada”(Por El Camino/Uruguay 2010) ganho premio no FestRio em 2010 e revela o diretor Charly Braun (antes ele só havia realizado curta-metragem).É um “road movie”sul americano. Jovem estudante encontra uma garota quando viaja para Punta del Este e dá-lhe carona. O romance infalível não acontece de súbito. Eles cortam estradas, pousam em lugares que a câmera mostra com efeito turístico e não encontram (pelo menos ela) o que querem.
Um filme bonito, mas vazio.

No rol dos chamados clássicos chega “Alma sem Pudor”(Born to be Bad/EUA, 1950) de Nicholas Ray. É um raro filme em que Joan Fontaine desempenha o papel de vilã. Não é bem uma criminosa, mas uma mulher egoista, disposta a atormentar a vida de outras/os para garantir o que quer. Mascarada com aparente meiguice vai forçando caminho numa família que a abriga quando chega de outra cidade. No grupo estão homens casados e enamorados (Zachary Scott e Robert Ryan, nos papéis) e a jovem que a acolheu. O percurso dessa maligna não tem limites, fantasiando-se de “boa amiga”, mas aos poucos, como sempre, cai a máscara e ela tem o que merece, a solidão. É um filme diferente na obra de Ray, e nem por isso desmerece o talento do diretor querido da “nouvelle vague” francesa. Merece ser descoberto hoje.

 

FIM DO MUNDO E EXPLOSÃO DE AFETO


 

Steve Carrel e Keira Knightely em "Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo”.

O primeiro filme de Lorena Scafaria, conhecida no meio musical como cantora da banda “The Shortcoats”, “Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo” (Seeking a Friend for the Endo f The World/EUA,2012) é mais um trabalho a abordar o apocalipse por conta de um choque de asteroide com a Terra. É mais próximo do enfoque de Lars Von Triers em “Melancolia”(2011) do que de “disasters movies” como “O Fim do Mundo” (When Worlds Collide/1951) ou “Impacto Profundo”(Deep Impact/1998). O filme se detêm no que sentem duas personagens (principalmente): o escriturário Dodge (Steve Carrel), cabisbaixo porque questões afetivas, haja vista que a esposa o deixou, e a estudante de arte Penny (Keira Knightely), amargando também a ruptura de um relacionamento, mas protegida pelo afeto familiar, daí estar em busca da casa paterna. Os dois se encontram quando as ruas da cidade onde moram espelham o horror da certeza de que tudo vai acabar: há diversos ataques de multidões, falha nas comunicações, trânsito congestionado, pois muitos querem morrer com os seus entes queridos.
O filme é tentado pelos caminhos da introspecção e do espetáculo “a la Roland Emmerich” (2012). Prefere o primeiro. Mas não chega ao microcosmo mórbido de diretor dinamarquês de “Melancolia”. Os tipos focalizados não parecem sofrer de males extras além do que falam e procuram minorar em um tipo de “road movie”. Tampouco se dá espaço a quadros melodramáticos e o roteiro consegue fugir disso mesmo quando focaliza pai (Martin Sheen) e filho (Carrel) se encontrando depois de muitos anos de muita mágoa. O que importa é o encontro do amor, ou seja, a sorte de duas pessoas se acharem e se amarem no“apagar das luzes”.

Infelizmente o tema é árduo e a jovem estreante não dá conta de abordá-lo na intensidade pedida. Fica uma linha narrativa apoiada especialmente nos intérpretes. E se vemos um Steve Carrel sério, longe da comédia que lhe deu uma expressão bem característica, a jovem atriz de “Orgulho e Preconceito” e “Não me abandone jamais” dá a dimensão desejada pelo enredo. Ele e ela correm os espaços que mudam com a chegada da tragédia cortando estradas, abrindo portas de casas, buscando cenários do passado.
É muito difícil tratar de um tema desses como o fim de mundo através de quem está condenado a participar desse fim. Especialmente em termos de Hollywood. Nas abordagens menos sensacionalistas tivemos a alusão com o mundo capitalista no final do “Eclipse” de Antonioni e na família que vê crescer no céu o astro ameaçador (no citado “Melancolia”). Para chegar a esse termo é preciso ou uma consistente abordagem do interior dos tipos focalizados ou o ângulo social em que “fim-de-mundo” não é só um fato astronômico. Lembro, por sinal, só de um momento digno dessa segunda opção numa cena de “Impacto Profundo”: quando a jovem Jenny (Tea Leoni) vê ao lado do pai (Robert Duvall) uma onda gigantesca chegando perto da praia onde estão, a ponto de atingi-los. Nesses poucos planos há um aceno para a angústia e ao mesmo tempo a aferição do que foi feito de suas vidas. Mas é exceção, é fragmento de um projeto de espetáculo. O que se quer em“Procura-se um amigo...” é mais de 90 minutos de ajuste do drama ao titulo (do filme). O primeiro amigo é um cachorro. Mas quem vai representar a amizade profunda é quem se ama. E dessa forma uma grande tragédia se desfaz na ideia de que se encontrou um objetivo, ou o que se levar do que está acabando.


ENTRE RISOS E LÁGRIMAS

Philippe (François Cluzet) e Driss (Omar Sy) em "Intocáveis".


O inesquecível Charles Chaplin criava suas comédias sob dramas. Não é à toa que a imagem final de “Luzes da Cidade” (Citylights) é comparada à Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci: o personagem Carlitos rindo e chorando ao mesmo tempo (e o espectador acompanhando-o). Infelizmente é raro no cinema autores que pretendem usar a mesma fórmula (ou se usam, usam mal).
“Intocáveis”(Intochables/França, 2011), cartaz agora nos cinemas brasileiros (e aqui em duas sessões noturnas numa sala do shopping Doca Boulevard), baseado nas memórias do empresário Philippe Pozzo di Borgo (narrada no livro autobiográfico “O Segundo Suspiro”) sobre sua amizade com o argelino Abdel Yasmin Sellou, mostra o riso sublinhando a tragédia. Philippe (François Cluzet) é um milionário que ao cair de um parapente fica tetraplégico e precisa de alguém para que possa executar as mínimas ações básicas e pessoais do cotidiano. Para completar o quadro triste, Philippe perdera a esposa, que tanto amava, no mesmo tempo em que fraturara vértebras e perdera os movimentos de pernas e braços. Este personagem, ao selecionar uma pessoa para cuidar de si, escolhe um imigrante negro, atlético, que se intromete entre os candidatos com outro objetivo, não o de cuidador. Conhecido como Driss (Omar Sy) acabara de cumprir seis meses de prisão por pequeno delito, vive pobremente na casa da mãe com irmãos com um deles tendendo para o mundo do crime. O contraste está formado: Philippe é um erudito, Driss um semianalfabeto. O segundo faz rir, o primeiro engole o choro com sorrisos do que este faz.

O filme dirigido e roteirizado pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano (quarto longa metragem do primeiro e oitavo do segundo) é desses que temos sempre prazer em recomendar. A temática podia gerar mais um melodrama dentre muitos e, até mesmo, lembrar filmes sérios como “Amargo Regresso”(1978) ou “O Escafandro e a Borboleta”(2007). Mas o enfoque dramático é outro. E a seqüencia inicial revela a técnica dos realizadores: os personagens Philippe e Driss, em um carro, percorrem as ruas parisienses na madrugada e com uma velocidade acima da média. O espectador não os conhece. Nem sabe que o carona é doente. Quando a polícia rodoviária manda parar o veiculo, pede que os passageiros saiam do carro e Driss, alvo de preconceito por ser negro e ainda malvisto por não ter carteira de motorista, é obrigado a ficar com as mãos sobre o carro enquanto os guardas usam de violência para revistá-lo. Nesse momento, o “carona” começa a passar mal. Driss, aos gritos, diz que ele está morrendo e que precisa urgentemente ir a um hospital. Os guardas concordam e ainda escoltam o carro. Dentro, os dois acham graça. E logo que podem saem correndo.

A erudição e a intuição deixam margem a seqüencias hilariantes como os amigos na ópera e/ou a critica a um quadro abstrato que o irrequieto Driss resolve imitar (ou criar o seu), valendo no mercado 11 mil euros.

Debaixo dessas cenas de humor, com intervalos que enfatizam a progressiva amizade que se faz entre empregado e patrão, há momentos como o de uma mal estar do tetraplégico e o modo como o cuidador amigo resolve o sintoma carregando-o para “tomar um ar na rua”(ao que Philippe diz: “- Há muito eu não via Paris às 4 da manhã...”)

Outro olhar sobre o filme tende a mostrar a dimensão da solidão de dois excluidos sociais, independente de classe social. Se Phillipe tem recursos que podem comprar o cuidador que bem quiser, não tem, entretanto, alguém que o trate despojado de piedade, sentimento que ele não aceita de ninguém. Por outro lado, desprovido de recursos – financeiros, culturais e de instrução - , Driss tem sua própria história que a mãe nem quer saber (por ter que administrar outros problemas), circulando em um mundo marginal pelas condições da vida, mas acima de tudo, sendo alvo de discriminação por ser um estrangeiro, um imigrante. A proximidade entre os dois revela-se importante visto que cada um passa a conhecer melhor o mundo do outro. Sem aprofundar essas questões, mas tangenciando todas elas, tem o charme de um filme que mostra que a vida pode não ser a que gostariamos que fosse, mas é possivel mudar o rumo para uma sobrevivência onde o afeto é necessário.

O filme é rico em momentos emblemáticos. Foi o maior sucesso popular na França ano passado. Por ter ultrapassado a renda dos blockbuster norte-americanos, certamente chegou até nós. O público deve assisti-lo. É possivel que seja retirado de cartaz para dar espaço a outros programas das grandes distribuidoras.

PROGRAMAÇÃO DA ACCPA (6 a 10/11)

Cena de "O Pássaro das Plumas de Cristal", de Dario Angento.
 
 O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(Uccello dalle piume di cristallo, L', 1970)

Direção: Dario Argento
Roteiro: Dario Argento, Fredric Brown (romance (não-creditado))
Gênero: Suspense/Terror
Origem: Alemanha Ocidental/Itália
Duração: 98 minutos
 
Sinopse: O Pássaro das Plumas de Cristal marca a estréia, na direção, de Dario Argento. No filme, o escritor americano Sam Dalmas, que vive em Roma, assiste ao assassinato de uma mulher bonita por uma figura misteriosa. Como a polícia não resolve os casos, ele parte para investigar o crime por conta própria. Os episódios vão se sucedendo até o escritor entrar na lista das vítimas do serial killer.
SESSÃO ACCPA/SARAIVA
CINE SARAIVA (LIVRARIA SARAIVA – BOULEVARD SHOPPING)
DIA 06/09/12
HORÁRIO : 19H
ENTRADA FRANCA
 

O BEIJO AMARGO
(Naked Kiss, The, 1964)

 Direção: Samuel Fuller
Roteiro: Samuel Fuller (escrito por)
Gênero: Drama/Policial
Origem: Estados Unidos
Duração: 90 minutos

Sinopse : Kelly (Constance Towers) é uma prostituta que espanca o seu cafetão pouco antes de tentar mudar de vida. Trabalhando agora como enfermeira em um hospital infantil, ela passa a descobrir os valores sujos de pessoas que antes pareciam perfeitas.
SESSÃO ACCPA/CINE LÍBERO LUXARDO
SESSÃO CULT
CINE LÍBERO LUXARDO
SÁBADO DIA 08/09/12
HORÁRIO : 16H


CORAÇÃO DE CRISTAL
(Herz aus Glas, 1976)

Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog, Herbert Achternbusch
Origem: Alemanha Ocidental
Duração: 94 minutos
Sinopse : O tema central é a desagregação de uma aldeia de artesãos na Alemanha, século XVIII, a partir da morte de um mestre vidraceiro que leva consigo o segredo da fórmula de fabricação do "vidro-rubi". Premonições, previsões que se realizam, fenômenos paranormais e momentos de delírio e violência contribuem para sustentar o clima mórbido da Baviera. Parte dos atores atuaram hipnotizados. “Coração de Cristal” é um dos filmes mais enigmáticos do diretor Werner Herzog, autor de “O Enigma de Kaspar Hauser”.

SESSÃO ACCPA/IAP
CINECLUBE ALEXANDRINO MOREIRA
(AUDITÓRIO DO IAP – INSTITUTO DE ARTES DO PARÁ)
SEGUNDA-FEIRA DIA 10/09/12
HORÁRIO : 19H

Em todos esses programas a entrada é franca. E apresenta, logo após cada exibição, debate com o público, coordenado por membro da ACCPA.