quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

TERROR NA VIZINHANÇA


 Jennifer Lawrence e Max Thieriot em "A Casa do Fim da Rua"
Na historia do cinema os filmes sobre casas “mal assombradas” são muitas e semelhantes entre si. Há roteiros mostrando residências de fantasmas e há os que usam o imóvel como palco de violência extratemporal. É o caso deste “A Casa do Fim da Rua”(HouseoftheEndofthe Street/EUA2012) em cartaz nacional. O enredo remete ao ambiente palco de um assassinato que se observa logo na primeira sequencia do filme. Primeiro cometido contra uma mulher, depois contra o seu marido, mas só se vê o atentado à primeira pessoa, sem explicitude, com a narrativa usando apenas planos alternados da personagem e de uma jovem de cabelos caindo no rosto e, mesmo assim, deixando escapar um olhar doentio.

Anos depois mudam-se para a localidade uma enfermeira divorciada (Elizabeth Shue) e sua filha de 17 anos (Jennifer Lawrence) que esperam recomeçar suas vidas após o divórcio da mãe. Logo esta moça estará conhecendo o vizinho que mora, só, na casa do crime. Seria o filho do casal assassinado, afinal, o único herdeiro da família, posto que a irmã, tida como a criminosa, teria fugido para uma floresta próxima e provavelmente morrera num rio uma vez que jamais a encontraram.

A base da história, um conto de Jonathan Mostow, diretor de “O Exterminador do Futuro 3”,não foge aos “clichês” dos filmes de terror que se apoiam em troca de personalidades (lembram Anthony Perkins em “Psicose” de Hitchcock?). Não sei se este conto esmiúça o perfil de Carrie Anne, a menina que seria a psicopata assassina. O roteiro de David Loucka centraliza a ação no irmão dela, Ryan. Ele guardaria a irmã no porão da casa como se esta fosse um animal feroz (e vivia aplicando injeções de tranqüilizantes). Por outro lado, o desfecho da historia leva a crer que tudo o que aconteceu está resumido nas atitudes de Ryan. E o perfil será delineado quando se torna amigo (e quase namorado) de Elissa, a filha da nova vizinha.

O espectador pode perguntar por Carrie Anne. Mas se essa personagem vier à tona da forma que ficou exposto no filme, vou estar cometendo spoiler ou revelando parte do suspense.

“A Casa da Rua...” tem uma construção tradicional, apostando na emoção do espectador. O flagrante com um acorde é um velho método de assustar e o diretor Mark Tonderai não se furta a isso. O que me pareceu diferente do usual foi a predileção desse cineasta com os planos próximos. São rostos (closes) de todos os personagens, às vezes com detalhes desses rostos. Se em alguns momentos o recurso é para evidenciar expressões, apoiando-se no elenco (especialmente em Jennifer Lawrence, talentosa jovem atriz revelada em “Inverno da Alma”), em geral não se justifica. O enquadramento deve se ater ao que se quer contar evidenciando a construção da imagem. Isso pouco acontece no filme, que sempre aposta na capacidade de assustar, desinteressando-se do aspecto psicológico evocado. Seria o caso de perguntar se o roteiro usou Carrie Anne como um artifício ou uma feição realista. Se ele quisesse que a assassina dos pais fosse, na verdade, outra pessoa (e Carrie tivesse morrido como a noticia circulante nos diálogos sobre o fato) como ressaltar as cenas em que ela é “dopada”pelo irmão e a evidencia disso é encontrada pela jovem vizinha ?

Não há cuidado com a estrutura psicológica num caso em que isso é básico. Restando o horror, este tende a servir a um esquema gasto pelo uso. E resulta que se veja o filme com interesse, pois o artesanato é dinâmico, mas o logro é sentido. Há personagens que foram feridas e cuja atitude não é mostrada assim desde que sirvam a um momento dramático estipulado. Uma brincadeira com o espectador.


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