quarta-feira, 31 de julho de 2013

O CINEMA ARGETINO DÁ O TOM


Ricardo Darin e Norma Alejandro em "O Filho da Noiva"

Juan Jose Campanella (54 anos no dia 19 pp) é um dos mais notabilizados diretores argentinos. São dele filmes cultuados como “O Filho da Noiva”(El Hijo de la Novia, 2001), ”Clube da Lua”(Luna de Avellaneda, 2004) e “O Segredo dos Seus Olhos”(El Segredo de sus Ojos, 2009). Hoje (31/07 e amanhã (01/08) no cine Olympia, dentro da Mostra do Cinema Argentino, serão exibidos dois desses títulos: “Clube da Lua” (hoje) e “O Filho da Noiva”(amanhã).
“O Filho da Noiva” chegou a ser exibido em Belém. Comoveu a muitos narrando, em uma narrativa acadêmica, o drama de Rafael Belvedere (Ricardo Darin) responsável por apresentar uma postura individualista em sua vida e que, ao lado do pai, sente necessidade de rever a mãe Norma (Norma Aleandro) portadora do mal de Alzheimer. O confronto dessas personalidades roça o melodrama, mas ganha na direção de Campanella uma posição realista e que não se furta a momentos de humor. Logo se tornou um clássico do cinema sul americano, vencendo o Oscar de melhor filme estrangeiro e ganhando mais 28 prêmios em mostras internacionais.
“Clube da Lua” é menos popular, mas de uma densidade que só faz confirmar o talento do realizador e do ator principal (Ricardo Darin é o mais afamado interprete do cinema argentino atual). Trata de uma casa de diversões tradicional que entra em fase de decadência com a fuga de sócios. Um dos diretores, Román Maldonado (Darin) que nasceu no local e por isso é sócio permanente, trabalha como motorista de taxi durante o dia, de onde tira seu sustento, e emprega suas noites no clube por amor àquele lugar. Ele é o primeiro a se posicionar contra o fechamento da casa. E esta posição contrasta com os problemas que enfrenta como a separação da esposa com quem tem uma filha e a incompreensão de alguns colegas. Sua argumentação varre a afetividade pela tradição das coisas do lugar, mas a contrargumentação acena com empregos numa época devastadora e, por isso, é a vencedora.
O filme ganhou 9 prêmios e segundo um critico da mesma nacionalidade é um apanhado da cultura popular de Buenos Aires com o amargor da crise que sacudiu a cidade e o país nos anos 1970/80. No caso, o bom humor e a música surgem como coadjuvantes de um drama denso onde o que mais importa ver é o papel cada vez mais incompreendido do sócio-fundador que no momento da ultima votação dos sócios para marcar o destino do clube diz, em reposta ao argumento de quem defende o fechamento alegando a criação de 200 empregos noutro ramo, que “está certo”, engolindo lagrimas e sabendo que se está sepultando uma parte da história local e de sua própria história.
Com uma fotografia fascinante de Daniel Schulman e direção de arte de Mercedes Alfonsin capaz de recriar um ambiente, o filme impressiona e como “O Filho da Noiva” foge de um fácil esquema melodramático.
O cinema argentino é mais conhecido entre nós pelas edições em DVD. Mesmo assim, muitos perguntaram se a mostra levada a efeito pela ACCPA tinha a ver com a visita do papa ao Rio de janeiro. “-Foi coincidência” diz Marco Antonio Moreira que idealizou o programa com ajuda de Pedro Veriano. Mas houve quem reclamasse a ideia, mostrando total desconhecimento da fonte produtora. Na verdade, o ciclo, com bons títulos, marca o inicio de programas dedicados a filmografias nacionais. A ideia é trazer filmes de diversas nacionalidades, a maioria desconhecida de quem hoje frequenta cinema e mesmo locadora de vídeo. Estas, aliás, se queixam de que os frequentadores dessas lojas preferem, como aqueles que vão aos cinemas comerciais, os novos filmes de Hollywood com todo o vazio que os cerca. É triste, com toda a produção cultural que se processa em sessões especiais, que ainda haja essa argumentação. É preciso mais discernimento para que se mude esse cenário. Nós fazemos a nossa parte.


Um comentário:

  1. Alex Barata da Silva1 de agosto de 2013 às 06:56

    Ola Luzia, lembro que o primeiro filme argentino que vi na vida foi A História Oficial, nos tempos do ensinno médio quando a minha professora de Sociologia o exibiu para depois conversamos sobre as ditaduras na America Latina nas decadas de 70 e 80 d seculo XX, a partie dai me apaixonei pelo cinema dos nossos hermanos, gostei muito de o segredo dos seus olhos. um conto chines, e espero que a accpa traga a mais recente obra argentina chamada tese de homicidio para nossas salas alternativas, outra sugestão que tal uma monstra com filmes nacionais como Colegas, Memorias que me contam e uma história de amor e fúria

    ResponderExcluir