quinta-feira, 15 de agosto de 2013

CONCURSO PARA O PIOR


"O Concurso": tempo perdido 

A ideia que deu origem ao roteiro do filme “O Concurso”(Brasil, 2013) não é ruim. Este roteiro foi escrito pelo diretor Pedro Vasconcelos e por L.G. Tubaldini Jr. e, ainda, Leo Lewis. No enredo, quatro rapazes de diferentes estados candidatam-se a uma vaga de juiz federal, com o exame a ser efetuado no Rio de Janeiro. Há um carioca (Danton Mello), um paulista (Rodrigo Pandolfo), um gaucho (Fabio Porchat), e um cearense (Anderson di Rizzi) se esforçando para a classificação ao cargo. O carioca é que parece ter mais chance de aprovação por ser advogado militante no fórum do Rio, conhece pessoas, e sabe usar de lábia para obter favores que impulsionem sua carreira. Mas há um tropeço e ele é obrigado a ajudar os colegas. Pensam, entre outras estratégias, comprar os gabaritos da prova. E onde encontrar esses gabaritos? Não é em alguma gráfica ou na casa de algum professor, mas, por incrível que pareça numa favela onde um anão traficante não só vende as questões ambicionadas como deixa que os candidatos entrem num esquema de farra com direito a mulheres e drogas.
É notória a lembrança da série norte-americana “Se Beber Não Case”(2009). Mas o exagero de passagens hilárias, embora não exista nada de novo nisso, é fórmula de pornochanchada tradicional, dessas que eram realizadas na época da ditadura para driblar censores e chamar um publico que não se sentia à vontade com o cerebralismo do movimento “cinema novo” dos anos 50-60.
Chega a ser curiosa esta marcha à ré da cinematografia nacional em  tempo de governo democrático, onde é possível ir à rua, gritar contra o que acha que não está correto (ou simplesmente fazer coro sem ter a noção do que venha a estimular um movimento de reivindicações). O que acontece é simplesmente um processo industrial & comercial resolvido às pressas. Hoje um filme nasce com os custos já resolvidos. São muitos os subsídios de empresas que com isso descontam no imposto de renda. Os produtores que não conseguem quitar uma realização cinematográfica estão sujeitos ao prejuízo que a má distribuição e exibição oferecem na eterna luta contra o produto estrangeiro. Por esse motivo, fazem-se muitas comédias sabendo-se que é o que o público gosta, pois, não perde o gênero na televisão.
“O Concurso” é o pior exemplo da nova vertente de um tipo de filme “caça níquel”. Todos os personagens repousam em estereótipos. O carioca, como maior exemplo, é visto por duas vezes numa praia, olhando as garotas e tomando sorvete ou bebendo cerveja. O cearense tem a máscara do ingênuo que se mete em trapalhadas. Enfim, cada tipo é moldado de forma e gerar o riso antes mesmo que se meta em aventuras, por sinal, previsíveis.
Não creio que as pessoas com um mínimo de bom gosto ou que estejam numa sala de cinema dispostas a se divertir apreciem o que poderia se ver como uma paráfrase da matriz norte-americana dizendo que não adianta beber nem casar para saber de um concurso antes de ele ser realizado. E se os autores da historia não fossem tão preocupados com a gaiatice dos seus personagens podiam adentrar pela critica sociopolítica chegando à violação do conhecimento às questões da prova passando ao conhecimento de candidatos de uma elite, ou pelos (des)caminhos de pessoas ilustres (há uma caricatura delas no papel de Pedro Paulo Rangel) que favorecem seus “afilhados”.
Para o bem do cinema nacional que ainda contra essa maré de desacertos deixa bons exemplos como “Xingu” (2012), “Corações Sujos”(2011), “À Beira do Caminho” (2012) o melhor é esquecer este “Concurso”. Que classifica um besteirol de baixissima qualidade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário