quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CINEBIOGRAFIAS


O que está sendo reclamado no filme “A Dama de Ferro” é a preferência pelo exercício de estilo (cinematográfico) no lugar dos dados biográficos do tipo focalizado. Quem não conhece a atuação de Margaret Thatcher como primeira ministra britância, assistindo o filme continua sem saber. O que se observa é que a diretora Phyllida Lloyd fez o seu trabalho pensando num enfoque personalizado desmontado de uma narrativa linear e cronológica, mas procurando centrar em algumas situações que nortearam a personalidade da Primeira Ministra Inglesa levando-a a ser nominada como “a dama de ferro”. E essa dimensão obrigou a atriz principal, Meryl Streep, a investir-se de elementos caracteristicos da imagem de Thatcher no momento atual, quando ela vive problemas de memória e esquecimento e esta linha norteia toda a ação do filme. As qualidades da atriz, sem dúvida ressaltadas pela semelhança das máscaras que serviram de incentivo ao reconhecimento da cinebiografada, somam-se ao reconhecimento de seu desempenho em “Mamma Mia”, assinado por essa diretora.

Desse modo, é bom considerar que as cinebiografias nem sempre são obrigadas a seguir os passos dos biografados. “J.Edgar” (foto), por exemplo, não é tudo sobre o homem do FBI. Algumas pessoas acharam que o filme dirigido por Clint Eastwood se desviou do foco de vida do administrador da mais poderosa organização policial norte-americana preferindo realçar a vida intima desse personagem. A impressão esbarra justamente no que se critica de outros filmes do gênero, dizendo-se, comumente, que a preocupação dominante é com a pessoa pública sem se ligar para o ser humano que está apoiando essa atuação conhecida de todos. O que se pode dizer de omisso em “J.Edgar” é detalhes de uma carreira polêmica. Mas seria um esforço além de um tempo de produção abordar os tantos anos de Hoover à frente do FBI, seja na sua atuação contra os supostos comunistas (que ele teimava em ver como elementos destruidores da base tradicional norte-americana), seja na sua posição relacionada aos direitos humanos, o que ele condenou ou deixou passar investigando o movimento racista Ku Klux Kan.

O desempenho de Meryl Streep em “A Dama de Ferro” foi recompensado esta semana ao ganhar o BAFTA, maior prêmio do cinema inglês, e isto se soma ao Globo de Ouro de drama que já recebeu. É quase certo que ela vença o seu segundo Oscar como atriz principal (o outro que possui é de coadjuvante por “Kramer VS Kramer”). Nada contra embora eu ache meritório o papel de Glenn Close em “Albert Nobbs”, e, neste caso, ressalto que Glenn nunca foi contemplada com o Oscar, apesar de papéis marcantes como em “Ligações Perigosas”. Vai ser injusto se a atriz entrar para o rol daqueles que só receberam prêmio honorário em fim de carreira.

Sem ser propriamente biográfico, o tipo que o francês Jean Dujardin encarna em “O Artista” é o arquetipo de ídolos do cinema mudo que encerraram carreira com o advento do filme sonoro. Na época, não se imaginava a dublagem e, ídolos como John Gilbert, encerraram carreira apesar de estrelas amigas como Greta Garbo terem procurado ajudá-lo (ele atuou com ela em “Rainha Cristina”, mas o filme não fez sucesso). “O Artista”, ora campeão dos Bafta e vencedor do Globo de Ouro de comédia, concorre a 10 Oscar. É mudo e em preto e branco. Mas é excelente e usa o retrô como um meio de ser original.

Mas em termos de atuação o que me pareceu mais afeito à pessoa real, mais perto de uma biografia sem necessariamente tratar de uma personagem viva, foi Demiàn Bichir em “A Better Life” (EUA, 2011) de Chris Weitz. Interpretando um imigrante mexicano que deseja melhorar a vida da família aceitando dirigir um caminhão de entregas sem ter visto de permanência nos EUA e sem carteira de motorista, o ator apresenta uma máscara admirável. O filme tem semelhança com “Ladrão de Bicicletas” de De Sicca, mas assumindo o aspecto moderno. Espero tratar dele quando chegar aos nossos cinemas. Se chegar.


A DAMA DE FERRO

 
Margaret Thatcher foi a primeira-ministra da Inglaterran entre 1979-1990. Formada em quimica pela Universidade de Oxford passou a fazer parte do parlamento pela região de Finchlay, em 1959. Nomeada para a o Departamento de Educação e Habilidades por Edward Heath, foi eleita a lider do Patido Conservador em 1975. Daí ao cargo majoritário que ocupou até se aposentar. Suas políticas econômicas foram centradas na desregulamentação do setor financeiro, na flexibilização do mercado de trabalho e na privatização de empresas estatais como algumas minas. Isto provocou uma grande impopularidade, só atenuada quando, proximo da reeleição, em 1983, colocou o país em guerra com a Argentina pela manutenção de posse das ilhas Falklands, ou Malvinas. A “guerra relampago” deu vitória aos ingleses num arremedo visto interancionalmente como Golias contra Davi.

A vida de Margaret Thatcher foi transformada em livro e, consequentemente, pedia filme. E este foi realizado ano passado pela diretora do bem sucedido “Mamma Mia”, Phyllida Lloyd. Como no seu trabalho passado (e primeiro longa-metragem), esta diretora escolheu a atriz Meryl Streep para o papel principal. E seguiu um roteiro escrito pelo praticamente estreante em cinema comercial (tem muitos titulos em TV e experiencia em teatro) Abi Morgan.
“A Dama de Ferro”(The Iron Lady/UK, 2011) está no páreo do Oscar nas categorias de atriz principal e maquilagem. A rigor só se realiza nessas categorias. Mesmo assim é preciso que se note que Meryl Streep segue um estereótipo. O papel exige mais a imagem da mulher idosa, demente, às voltas com a lembrança do marido morto (o que lhe deixou solitária no largo espaço onde mora).

A narrativa fragmentada é moda atual como forma de direcionar certos assuntos. Em “A Dama de Ferro” as sequências se misturam no tempo e no espaço e não há uma correlação que lhe dê o caráter de uma “rima” com a linha básica, ou um parêntese que ajude na composição da principal personagem. Por mais que o espectador se esforce para montar o quebra-cabeça de cenas, a verdade é que isso não resolve a identidade de quem foi a primeira ministra inglesa. Sua vida privada e sua vida pública se mesclam em momentos avulsos, ficando a maior atenção ao papel do marido que ela evoca constantemente. Num dos planos iniciais vê-se Tatcher na mesa do jantar com o marido quando chega uma empregada. No enfoque seguinte o marido não está mais. Não deu tempo para ele ter saido da sala. Só mais tarde a filha da ex-ministra relembra-lhe que “o pai morreu”. Ou seja, o roteirista Abi Morgan disse antes e a diretora Phylida Lloyd endossou.

Percebe-se que a intenção da cineasta foi esvaziar qualquer clichê de “filme biografico”(biopcture). Nada de contar em linguagem acadêmica quem foi a mulher tão famosa que a câmera focaliza pela primeira vez como uma velhinha comprando leite em um supermercado (tarefa que será criticada pela filha que a vê incapaz de sair de casa sozinha). A imagem seria a de demonstrar que a “dama de ferro enferrujara”. Mas, dessa situação ao inicio de um processo gradativo de fama, o filme hesita, e pouco diz, inclusive, de como se processa uma eleição do parlamento britanico e mesmo, o papel da rinha nessa politica parlamentar (fato que se expôs bem em “A Rainha”(2006), filme excelente de Stephen Frears .
Por causa de Meryl e de seu papel no Oscar deste ano voltarei ao assunto.


OS INGLESES PREMIAM "O ARTISTA"

"O Artista”(The Artist, foto) foi o grande vencedor do BAFTA, o maior prêmio de cinema na Inglaterra. O filme mudo e em preto e branco de co-produção francesa ganhou nas categorias: filme, ator (Jean Dujardin), diretor (Michel Mazanavicius), roteiro (do diretor), fotografia (Guillaume Schiffman), figurino (Mark Bridge) e musica (Ludovic Bource).

A atriz premiada foi Meryl Streep por “Dama de Ferro”, a codajuvante foi Octavia Spencer por “Histórias Cruzadas” e o ator coadjuvante Christopher Plummer por “Toda Forma de Amor”. O documentário “Senna”, de Asif Kapadia, ganhou em montagem e nesse gênero.

O melhor filme estrangeiro foi “A pele que habito”, de Pedro Almodòvar e a animação “Rango”.

OS SENTIDOS DO AMOR


Os melhores filmes em DVD que assisti ultimamente são: “Os Sentidos do Amor”, “Anti-Heróis”, “Eva Braun, Sua vida com Adolf Hitler”, e “O Rei dos Ladrões”.

Ainda vai ser lançado nos EUA “Os Sentidos do Amor”(Perfect Sense/UK 2011, foto) filme de David Mackenzie que lembra “Ensaio sobre a Cegueira” que o brasileiro Fernando Meirelles realizou nos EUA com base no livro de José Saramago. Aqui, em “Sentidos...”, as pessoas começam a perder o olfato. O roteiro de Kim Fupz Aakeson detém-se no casal Michael (Ewan McGregor) e Susan (Eva Green), ele funcionário de um restaurante ela uma epidemiologista. A história não se preocupa com a parte cientifica como o processo de perda dos sentidos é originado, como se dá a propagação da doença. A jovem médica diz ao namorado que o alvo primeiro são os “sentidos quimicos” e ele olfato e tato. Mas não demora e aparecem casos de surdez. Espera-se o pior e nesse caso não há qualquer resquício de thriller, mesmo de aventura policial ou de ficção comum em cinema. É um lento e inexplicado processo de deterioração do corpo humano. O fim é a cegueira. Irreversível.

A direção não se preocupa em dar ênfase a determinado quadro à guisa de suspense. O filme é um lento processo de destruição, lembrando aqueles exemplares que exploram guerras nucleares como “Eu Sou a Lei” vendo-se ruas desertas com o lixo sendo levado pelo vento. Esse tratamento revela a preocupação de se focalizar um drama introspectivo em meio a um cenário de caos. Há quem digam em uma cena, que sem alguns sentidos as pessoas ficam mais amigas, mais afáveis, se abraçando quando se encontram. O paradoxo de se aprender a viver quando a vida perde muito de sua orientação física.
É pouco provável que o filme chegue aos cinemas locais. É bom consultar logo o DVD (ou o bluray) ao alcance, nas locadoras.

“Anti-Heróis”(The Sono f No ONe/EUA, 2011) segue um garoto que vivendo no meio de malfeitores é forçado a atirar em um deles. Também derruba outro de uma escada levando-o a morte. Adulto, o menino acaba se tornando um policial. Mas a investigação sobre a morte das duas pessoas, vinte anos antes é reaberta. E há quem tenha interesse em culpar o hoje pai de família e bom profissional. Só há um amigo fiel sobrevivente do caso. E este é também alvo dos perseguidores.

Al Pacino protagoniza um policial veterano que se coloca ao lado do garoto e acompanha o jovem policial (Channing Tatum). Ray Liotta interpreta um delegado corrupto, Katie Holmes, a mulher de Channing (ou Jonathan) e Julitte Binoche uma jornalista que logo é assassinada. Direção e roteiro de Dito Montiel (é o terceiro filme dele). Boa narração e bem afiado elenco, apenas a rendição do roteiro aos clichês do gênero. E em grande escala.

O documentário “Eva Braun e Sua Vida com Adolf Hitler” é um especial de televisão que ninguém assina. Vêem-se filmes domésticos feitos pela própria Eva. E a narração que se diz prender boa parte ao diário que ela deixou ,ajuda nas imagens que refletem uma vida aparentemente despreocupada embora ela diga que “não é propriamente feliz”. Dramático é saber que as crianças com quem a companheira do ditador nazista aparece brincando várias vezes, morreram assassinadas, no caso de Josef Goebbles, pela prórpia mãe quando no fim da guerra(a 2ª Mundial).

“Os Visitantes”(The Visitors/EUA,1972) é o penúltimo filme de Elia Kazan(1909-2005). Escrito por seu filho Eric, trata do drama de uma família que mora em uma casa isolada e recebe a visita de dois ex-colegas do marido na guerra do Vietnam. Os homens querem se vingar de uma traição e todos da casa são vitima de violência. Um terror na linha de “A Dama Enjaulada”(1964). A critica recebeu com os piores comentários dedicados a um filme de Kazan na sua vasta (e premiada) carreira. Realmente é lamentável o diretor de “Vidas Amargas” tropeçar na área de Sam Peckimpah.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

FILHA DO MAL


Produção de baixo-orçamento “Filha do Mal”(Devil Inside/EUA,2012 ) foi filmado há aproximadamente um ano entre Roma e Bucareste. Recorrendo ao estilo documentário, foi tratado pelos estúdios da Paramount, com as qualidades de “Atividade Paranormal”(1, 2 e 3) um deles já recebeu prêmios (Melhor performance Amedrontadora para Kate Featherstob, em 2010). Foi financiado por esse estudio através da Insurge Pictures, divisão criada para produções de baixo custo.
No enredo de “Filha do Mal”, em 1989, a jovem Maria Rossi (Susan Crowley) telefona para a polícia e diz que acabou de matar 3 pessoas: uma freira e dois padres. A mulher é presa, mas escapa de uma sentença por crime doloso, posto ser considerada insana. Vai para uma casa psiquiátrica e em seguida para um asilo em Roma (o fato aconteceu nos EUA). Vinte anos depois sua filha (interpretada pela paulista Fernanda Andrade) resolve fazer um documentário sobre a mãe. E viaja a seu encontro, sabendo que na Itália a mulher fora “diagnosticada” como possessa- embora a Igreja tivesse recusado um exorcismo. É a filha quem vai solicitar a dois padres que tratem da mãe.

Para o público que assiste ao filme este é mais um arremedo de “cinema verdade” na linha de “A Bruxa de Blair” e da série “Atividade Paranormal”. Um modo fácil e de baixo custo de atrair dólares no cinema. Fácil porque exige pouca estrutura narrativa, e barato porque os custos de produção são irrisórios. Em tese, o que se vê é o filme que se faz, este com uma câmera pequena, manual, sem muito cuidado na iluminação, aumentando o tremor natural do cinegrafista (que no caso é tudo, por suposto, de diretor a técnico das gravações e imagem e som).

O erro comum em todos esses exemplares do gênero (ou subgênero) é muito fácil de perceber. Em dado momento do filme dentro do filme a pessoa que devia estar filmando aparece em cena. Nesse momento, quem filma? E mesmo quando o “cameraman” não aparece, alguns detalhes devem estar ocultos da objetiva (se realmente ela fosse pesquisadora).

Mas não é só isso. Observa-se que tudo foi feito ás pressas. Há um momento em que se vê o gráfico dos batimentos cardíacos da “paciente” funcionando quando ela, numa fase do exorcismo, sai da mesa e ataca as pessoas que tentam manipulá-la. São cochilos que se agrupam e até que seriam perdoados se o propósito de assustar para faturar não fosse tão flagrante.

No correr da narrativa a jovem produtora do “documentário” focado na mãe possuída por vários demônios também se torna alvo desses seres. E um dos padres exorcistas igualmente vira alvo das possessões. Gritos, contorcionismos e caretas tomam conta da tela. O som ajuda no cenário de horror. Há um momento em que se ouve um baque forte na lateral do cinema (apesar de a produção ser aparentemente primária o sistema sonoro é estereofônico). Nessa hora os espectadores se assustam. Na sessão em que estive uma jovem deixou a sala.

A forma de cinema amador ajuda no conjunto. Atualmente já não se gastam milhões de dólares em filmes como “O Exorcista”. Basta simular uma realidade e jogar nesta simulação os elementos tradicionais dos exemplares “de terror”. A fórmula é lucrativa. “Filha do Mal” esteve por mais de uma semana entre as maiores bilheterias nos EUA. O recente “Atividade Paranormal 3” também chegou ao ápice do “box office”. E há pessoas de fora da grande indústria aproveitando a moda. O também recente “Apolo 18” (2011) é um exemplo, assim como “A Casa” (filme uruguaio, 2010). Qualquer um pode se aventurar nessas fantasmagorias. O pitoresco é ver nelas uma autocrítica. O mau cinema se veste de documento dele próprio. E quem paga ingresso para assistir é quem quer tomar susto como num brinquedo de parque de diversões. Mas há, também, o espectador primário. Percebi isso num diálogo, no elevador do Shopping, com a surpresa da garota em assistir um “filme péssimo” como disse, por não conhecer a sinopse. Foi alertada pelo amigo para não entrar num cinema sem conhecer o enredo. O que demonstra a importância deste elemento na escolha de programas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CINEMA OLYMPIA É PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE BELÉM

Notícia bombástica!

Projeto de autoria do vereador Abel Loureiro (Partido dos Democratas), aprovado nesta quarta-feira (8), no plenário da CMB, transforma o centenário Cine Olympia em Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Belém. O projeto também autoriza a prefeitura a efetivar a desapropriação do imóvel sede do cinema, que pertence à família de Severiano Ribeiro. “O Cine Olympia é um tesouro para a nossa cidade. É referência dos tempos áureos do Ciclo da Borracha e é o cinema mais antigo do Brasil ainda em funcionamento”, informou o vereador Abel Loureiro.
De acordo com o projeto, a prefeitura também ficará responsável em promover, garantir e incentivar a preservação, conservação, proteção e o tombamento do Cine Olympia, que também passará a ser exclusivamente e definitivamente um centro de exibição de obras audiovisuais. “O Cinema Olympia sempre será ícone da sétima arte em Belém e é um monumento artístico para a nossa cidade”, concluiu o vereador.

Informações no site da CAMÂRA MUNICIPAL DE BELÉM:
http://www.cmb.pa.gov.br/portal/index.php

À BEIRA DO ABISMO



O título que o filme “Man on a Ledge” (Homem na Borda) recebeu no Brasil, “À Beira do Abismo”, reprisa o que foi dado a “The Big Sleep”(O grande Sonho) de Howard Hawks (1946). O roteiro de Pablo F. Fenjes tem mais a ver com o de John Paston de uma história de Joel Sayre em “Horas Intermináveis”, de Henry Hathaway (1951). Naquele filme da 20th Century Fox, o ator Richard Basehart (de “La Strada”, onde protagonizava “Il Matto”) tenta o suicídio dependurando-se no parapeito de um edifício em NY sobre uma rua movimentada. O motivo é a desilusão que sente de tudo e de todos. Recebe ajuda de um policial, ao mesmo tempo em que a multidão formada debaixo do prédio divide-se entre os que pedem sua remoção e os ansiosos querendo que ele se atire (lembra o episódio ocorrido em Belém, documentado por Paulo Chaves e José Carlos Avelar etc, “Destruição Cerebral”, 1977).
Neste “À Beira do Abismo” não há só um plano suicida. O homem da borda do edifício quer mais alguma coisa, ou melhor: quer outra coisa, tem outro objetivo. Trata-se do ex-policial Nick Cassidy (Sam Worthington) preso pela acusação de furto de uma pedra preciosa de quarenta mil dólares e, com essa atitude, espera demonstrar sua inocência. A concretização do ato se dá quando seu pai morre, ele ganha licença da penitenciária para ir ao funeral, consegue fugir e se hospeda num apartamento do último andar do Hotel Roosevelt, em Manhattan, transpõe a janela e, do beiral, ameaça se jogar para o meio da rua onde as pessoas já se acumulam.

A construção da trama reflete um dos “thrillers” divertido desses que nos últimos anos Hollywood exagera em produzir. A narrativa é dinâmica, sem sair do tempo da ação, e o roteiro, falseando aqui e ali, consegue engendrar surpresas contínuas como se desse ao público um quebra-cabeça para ele montar “na ponta da poltrona”. Naturalmente não se trata de um enredo realista. Nem de crítica a algum assunto paralelo. No máximo pode ser pensado nas manhas e artimanhas de um capitalista voraz que é criminoso, hábil o bastante para jogar o ônu de seus crimes em outras pessoas e subir sempre para a fama, protagonismo curto de Ed Harris, quase irreconhecível na maquilagem para mais velho. O que importa é a ação em si. A partir de determinado momento esta se torna em paralelo com outra, onde um casal se prepara para um assalto. Assim, a conversão em tres eixos narrativos explora os movimentos diferenciais entre a disposição de Nick de se jogar da sacada do prédio, as tentativas da psicóloga conciliadora em afastá-lo dessa intenção, a ação dos assaltantes para neutralizar o circuito integrado de imagens de um prédio vizinho e chegar ao cofre da empresa e, ainda, flashes da turba que impaciente se divide em gritos de “salta logo” ou de resistência em apoio ao gesto. Com isso, pequenas nuances de uma relação direta entre o suicida e os assaltantes será uma “dica” aos que o supõem determinado a morrer. Mas isso só é notado quando o espectador percebe o fone de um celular no ouvido de Nick e sua gesticulação oral. Aos poucos se estabelece o elan entre as duas ações seguindo-se a outras que demonstram a motivação do gesto do suicida.
Claro que há happy-end, há correrias, há bandidos e mocinhos e estes parecem imunes às balas disparadas à vontade, aos saltos fantásticos, às reações imprevisiveis de uns e de outros e, inclusive a uma denúncia de corrupção policial. Achar que esses lugares-comuns prejudicam um filme que tem o propósito limitado (divertir brincando com um drama pessoal) é dar interpretações não existentes na agenda de serviço do diretor.

“À Beira do Abismo”é um programa de sala comercial bastante competente. Aos que se interessam pelo enredo, vale o ingresso.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

OS DESCENDENTES


Co-escrito por Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash, todos indicados ao Oscar, assim como o diretor Pyne, “Descendentes” (Descendants/EUA<2011) parte de um livro de Kaui Hart Hemmings. O roteiro acompanha o bem-sucedido advogado Matt King (George Clooney) em sua pouco admissível busca por um rival quando sabe que a esposa, acidentada e em coma irreversível, teve um caso com uma pessoa a quem a filha mais velha descobriu ao presenciar a mãe entrar numa certa casa, acompanhada de um homem que a bolinava.
A história se passa no Havaí e o principal personagem chega a aludir, numa nem sempre oportuna narração em off, que a vida dele é como o arquipélago onde mora, formada por um conjunto de ilhas. Seria o modo de justificar seu modo de agir, sempre viajando a serviço, distante da família, o que se coloca como justificativa do comportamento da esposa e da absoluta falta de jeito em tratar as filhas, uma adolescente e a outra criança.

O diretor e co-roteirista fez pelo menos dois filmes em que estudou o comportamento de uma pessoa solitária: “As Confissões do Sr. Smith” e “Sideway, Entre Umas e Outras”. A característica procede neste trabalho o que leva a pensar numa obra coesa. Mas se nos dois filmes citados havia uma arquitetura capaz de dimensionar convenientemente os tipos focalizados aqui a opção resvala pelo melodrama e há situações inegavelmente equivocadas como a sequência semifinal quando a esposa do “outro” desabafa a mágoa que tem do companheiro diante do corpo inerte da rival. Esta cena patética ainda ganha a colaboração das lágrimas do quase viúvo. Seria por isso que George Clooney é o candidato favorito do próximo Oscar? Ele esteve bem melhor em “Amor sem Escalas” e, este ano, mostrou como sabe dirigir em “Tudo Pelo Poder” (não está no páreo dos nominados pela Academia de Hollywood).

“Dependentes” tem a seu favor o cenário havaiano, com as filmagens em locação realçadas na fotografia de Phedon Papamichael. Mas se a beleza natural chama a atenção ela não serve de contraste ao drama do protagonista da história. Nem mesmo com a ressalva poética. É numa praia havaiana, por exemplo, num crepúsculo de quadro, que o personagem contata com a esposa do seu rival e a acompanha à casa onde está o referido. Nada mais conflitante. Como é conflitante chamar o filme de comédia e como tal ele figurou no Globo de Ouro. Graça pode ser encontrada na presença de um jovem colega da filha de 17 anos, um típico exemplar da juventude atual, verbalizando as gírias disponíveis e agindo como um autêntico “papagaio de pirata” acompanhando pai e filhas pelos caminhos detetivescos da infidelidade conjugal.

As meninas convencem, a narrativa acadêmica tem dinamismo bastante para não abrir espaço à monotonia, e um retrato de família em crise pode ser encontrado sem o delineamento que se encontra no paisagismo. Mas os elogios recebidos em seu ponto de origem e a candidatura a 5 Oscar levam a uma expectativa que se esgota na sala escura. O conservadorismo norteamericano se expressa na sequência final quando pai e filhas diante da televisão, após o ritual de jogar as cinzas da mãe no mar, sentam-se num sofá, se enrolam num cobertor e dividem um pote de sorvete. Payne poderia dar o toque de despedida em outro final, antes dessa tomada.

Na verdade, o que o filme demonstra é uma culpabilização para a mulher e a vitimação masculina numa relação do tipo casamento. A narrativa transcorre a partir do percurso masculino por uma família que este desconhece. Vai aos poucos se redimindo, ao longo da busca detetivesca e principamente na cena final. Em todo esse percurso, evidencia-se, sem profundidade nenhuma, mas através dos diálogos transversais, facetas da personalidade da esposa e mãe, sua energia, seu trânsito por caminhos masculinos como: gosta de velejar, de esportes, não vive com as filhas “sob as saias”, confidencia com as amigas etc. Depois disso, torna-se convincente a transformação do pai ausente em um herói. E o público sair em lágrimas do cinema.

Almejo que os filmes “descendentes” de Alexander Payne melhorem no futuro.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

TROCA DE TELAS


Filmes recomendados em DVD: ”Fogo na Planicie” (Kon Ichikawa, 1959), “A Missão do Gerente de Recursos Humanos”(Eran Riklis, 2010),”Menino de Ouro”(Jonathan Newman, 2011), “Toda Forma de Amor”(Mike Mills, 2010) e “A Lista de Adrian Messenger”(Johnn Huston, 1963). Em cada coluna de 2ª feira devo estar apresentando 5 títulos que considero os melhores lançamentos em DVD nas locadoras (cortesia da Fox Vídeo).
Na semana que passou, dos filmes que assisti faço agora uma síntese procurando mostrar minha opinião sobre cada um. Na verdade, assistir aos filmes em DVD ou blu-ray, em casa, difere do ritual “sala de cinema”, assim, estas informações podem não valer para quem precisa, apenas, “passar a noite”. Pra mim é trabalho (em alguns momentos, bastante prazeroso).

“Missão Madrinha de Casamento” está concorrendo ao Oscar nas categorias: atriz coadjuvante(Melissa McCarthy) e roteiro original. Como outros filmes candidatos que eu tive oportunidade de assistir, não acho pertinentes estas colocações. O filme é uma comédia que me pareceu sem graça, pousada na extroversão da atriz Kristen Wig. É longo e cansativo. Não sei o que levou a comissão selecionadora do OSCAR a incluí-lo nessas categorias. Eu passo.
“Super 8”, de J. Abraams (o diretor da série de TV “Lost”) é uma produção típica de Steven Spielberg. Isto porque retrata sonhos infantis, no caso de crianças da década de 70. Trata da história de garotos que estão fazendo um filme doméstico e acabam gravando um desastre de trem. Esse episódio conduz a turma à uma intriga que leva à invasão de aliens. Tipico de séries de TV desse tempo quando essa tecnologia estava muito próximo dessa faixa etária. O cuidado na reconstituição de época, incluindo o modo como se manipula o enredo, merece aplausos. Não sei é se a galera de hoje vai se empolgar.

“Se Beber Não Case Parte 2” é replay do primeiro filme da franquia (posto que já está em execução um terceiro episódio no tema) jogando os personagens para a Tailândia numa verdadeira propaganda anti-turistica do local. O que antes era original e engraçado agora não esconde o ranço de idéia requentada. O diretor é o mesmo Todd Phillips e no elenco o destaque continua a ser Zach Galifanakis.
“O Homem do Futuro” é um raro exemplo de ficção-cientifica brasileira. Wagner Moura viaja no tempo para refazer o seu romance, mas a interferência no passado mexe fatalmente com o presente e isto gera muita confusão. O filme dirigido por Claudio Torres tem uma produção que contempla uma boa avaliação do filme, numa área em que o cinema comercial dos grandes centros produtores procuram cada vez mais investir em termos de efeitos visuais (não de idéias).

“Amor a Toda Prova” traz Steve Carrel tentando suportar a separação quando a esposa lhe diz que tem outro homem em sua vida. Para isso aceita as “lições” de conquistas ministradas por um amigo que, coincidentemente, vai se candidatar a seu futuro genro. A direção é de Glen Ferrara e o filme é uma rara comédia romântica inteligente da safra atual.
“O Segredo da Porta Fechada” é um clássico de suspense que Alfred Hitchcock aceitaria assinar. A direção é de Fritz Lang e Joan Fontaine (que Hitchcock dirigiu em seus dois primeiros filmes americanos: “Rebeca”e “Suspeita”) protagoniza uma jovem ingênua que desposa um amigo de infância e somente depois de casado revela ser um maníaco. A fotografia expressionista é um dos pontos altos desta obra-prima de 1947.

“Delírio de Loucura” é um dos filmes de Nicholas Ray, de 1956, que os cineastas da “nouvelle vague” propagaram como uma obra de arte irretocável. O ator veterano James Mason protagoniza um professor que se vicia em drogas medicinais como a cortisona, mas ao abusar da droga tende a reações violentas e imprevisíveis. Barbara Rush interpreta uma possível vitima. O irreverente ator Walter Matthau também se salienta no desempenho. São 95 minutos de bom suspense.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MILLENIUM


Um dia antes de assistir no cinema a “Millenium, Os Homens que Não Amavam as Mulheres”(The Girl With the Dragon Tatoo/EUA,2011) revi, em DVD, a versão sueca do primeiro volume da trilogia de Stieg Larsson. Basicamente é a investigação que o jornalista Mikael Blomkvist faz, a pedido de um magnata idoso, em busca de uma sobrinha, Harriet, desaparecida há quarenta anos. O jornalista submetera-se a um processo judicial que o condenou por difamação, mas enquanto espera o período de execução à sentença, aceita a tarefa sabendo de antemão que a família da desaparecida tem uma longa história de dissenções devido a causas ideológicas, de herança e de caráter. Suas reuniões em datas especiais não representam o afeto entre eles, mas revelam tensões e conflitos recônditos. Alguns se odeiam e mesmo morando próximos não trocam palavra. Velhos nazistas estão lembrados em retratos espalhados pela casa, e os descendentes seguem resquícios da ideologia ancestral.
No filme sueco dirigido por Niels Arden Oplev, o enfoque prende-se à tarefa de Mikael e à descoberta de Harriet. No filme norte-americano dirigido por David Fincher, a trama vai mais além. Detalha negociatas que envolvem firmas e bancos, começando pela corporação que a família investigada detém como herança com raízes seculares. Nessa jornada que deverá descobrir as tramas das negociatas vindas da Suécia, o jornalista inicia sozinho o desvendamento do mistério, aceitando o trabalho não só pelos limites impostos à liberdade de sua profissão, portanto, pelos recursos que irá receber se tiver êxito na empreitada, mas por ter sido instigado a receber, também, um dossiê completo do seu acusador, podendo reabrir o caso que o condenou. A necessidade de auxilio nas buscas a documentos e provas leva-o a incluir uma jovem “punk”, Lisbeth Salander, que no filme sueco é interpretada por Noomi Repace e, na versão de Fincher, por Rooney Mara, candidata ao Oscar deste ano. Duas interpretações excelentes. Fico dividida entre as duas, ambas incorporando um esforço fantástico no tipo “estranho” interpretado. O percurso desta personagem, nos dois filmes, é tratado em paralelo à trama principal, evidenciando a máscara do tipo negando-se a figurar como a tradição manda às mulheres. Por isso, é mostrado todo o desenrolar de sua submissão segundo ordens familiares, a um processo de tutela, e de que modo se desvencilha desse domínio.

Os filmes devassam espaços tradicionais de um país pouco explorado em intrigas do tipo. Não conheço os livros originais, mas, pelos dois filmes, percebe-se, especialmente, o papel das mulheres que se estigmatiza como rebelde e devassa, acompanhando-a num processo de vingança e numa odisséia policial que a coloca como investigadora igual ou melhor do que os especialistas no ramo.
Uma sequência salta do conjunto nos dois filmes: quando Lisbeth (Noomi ou Rooney) responde ao estupro sofrido e tortura o estuprador. Há necessidade de detalhar a cena embora seja de extrema crueldade. Mas é nessa demonstração de violência que se apega os filmes, não havendo diferença formal entre os dois. O que se pode dizer de diferença, além do final que Fincher estica para tratar de outro assunto, é que na versão americana há mais detalhes sobre o jornalista, esmiuçando melhor o seu processo. Mas não resta dúvida que o ataque ao vilão é típico de aventuras de ação comuns. Inclusive na presença de quem vai salvar o mocinho na hora em que este é presa do bandido e está preste a ser executado. São clichês que trabalham um tema de outra forma apresentado como uma denúncia um tanto árdua de corrupção.

Creio que “Millenium” é programa para todos os públicos. O subtítulo dado no Brasil é um tanto incoerente ao incluir a todos os homens da família focalizada como algozes das mulheres da familia. O próprio fato da investigação retomada 40 anos após um crime pelo patriarca da família demonstra que não há unanimidade em tipos e atitudes masculinas no caso.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

AINDA “J.EDGAR”

Na comparação que fiz ontem com o personagem de “Cidadão Kane” versus Edgar Hoover não considerei um referencial entre o FBI e Xanadu. O “castelo” edificado pelo magnata do filme de Orson Welles tem a ver com a significação sobre o “no trespassing”, ou seja, ninguém conhece ninguém.
Reflexo de uma criação por desvelo materno, acima da atenção dada aos demais familiares, o local de trabalho de Edgar Hoover é a sede de uma ambição prometida (“meu filho você será uma pessoa poderosa”). Aliás, o relacionamento mãe-filho é básico na formação afetiva e profissional do personagem. Afetiva porque demonstrada ate mesmo na desobediência que se pode ver, psicologicamente, como uma reação natural do ego. Quando a mãe “ralha” por uma tendência não-viril do filho e diz que “prefere estar morta a vê-lo preferindo homens” isto indica o caminho a seguir de Edgar. Tanto que ele diz ao amigo-amado Clyde Tolson (Armie Hammer) do assédio à atriz Dorothy Lamour “pois está na hora de casar e constituir família”. E a formação profissional espelha na relutância por “mostrar serviço” como o meio que passa a usar para se projetar e, com isso, fazer jus à predição materna.

O roteiro de Dustin Lance Black não reflete um processo esquemático como à primeira vista pode parecer, mas às opções de um roteirista pelo que poderia recortar sobre a vida de um homem que manteve, às raias da “perfeição”, a investigação policial norte-americana para fins da defesa e da segurança nacional (o eixo justificador de qualquer anomalia que pudesse subverter o caminho da ética). Despreza filigranas e tenta sempre um retrato isento de retoques, de um tipo que é bom e mau, que organizou um arquivo de digitais numa época em que computador era ficção - cientifica e, de alguma forma, desvendou uma série de crimes, prendendo – ou mandando prender – criminosos. Hoover desagradou mais do que agradou aos críticos de seu tempo. No cinema, por exemplo, apesar de dizer que o senador Joe McCarthy, o responsável pela chamada “caça às bruxas”, movimento no Congresso que atacou a industria cinematográfica de forma sectária, prejudicando carreiras brilhantes com a acusação de que se tratava de comunistas, era um “exibicionista”, ele próprio foi radical contra quem achava estar “a serviço de Moscou”. E gabava-se de ser o homem que prendeu ou matou facínoras como John Dillinger.
Os casos que o filme aponta quanto a certas investigações secretas que fazia como a da primeira dama dos EUA, Eleonor Roosevelt, ou do prorpio Nixon, ou dos Kennedy, tendem a ser as peças a usar em tempo preciso pela sua conveniência pessoal, fato apontado no roteiro. Não vazam para o público, mas são notificadas por Eastwood para mostrar o caráter do Diretor do FBI. Entre conversas pessoais ele revela que poderia dispor delas, como na visita que faz a Robert Kennedy para evidenciar o que sabe sobre ele e o irmão presidente, ou em torno do comportamento de Eleanor, ao contestar as assertivas do FBI sobre a prisão do suposto seqüestrador e assassino do filho de Charles Lindenbergh. Neste caso, é de supor que o todo-poderoso Hoover correia o perigo de adiantar detalhes de sua própria opção sexual, fato já murmurado pela população (e proibido na sua época áurea de mando).

A vida intima de Hoover não tem muita ênfase, mostrando certos gestuais simbólicos em poucas seqüências. Mesmo assim, há momentos que ressaltam o envolvimento entre ele e Tolson, através de olhares, de proximidade e aceitação nas decisões, nos tradicionais almoços em certo restaurante, e, principalmente, numa briga física entre os dois. Sintomático do que era suposto entre os norte-americanos, sobre este se vestir com roupas femininas é o momento em que se prepara para o velório da mãe, mas antes com as próprias roupas desta se traveste.
Mas é o próprio Tolson quem desmascara a farsa de Hoover, na decomposição que faz sobre os feitos do amigo. Esse é um ponto importante do filme, pois J. Edgar fica de frente com as suas verdades e mentiras.

Finalmente para quem estranhou a ausência do filme nos Oscar fica a linha da Academia de Hollywood que dificilmente absorveria tema tão delicado.