segunda-feira, 23 de setembro de 2013

DOSE DE HUMOR



“Dose Dupla”(2 Guns, EUA, 2013)

Com roteiro de Blake Masters (de 22 episódios da serie “Law & Order”, da TV fechada) e  baseado nos quadrinhos de Steve Grant,  “Dose Dupla”(2 Guns, EUA, 2013) tem direção do islandês Baltasar Kormákur responsável por mais quatro filmes. No filme Bobby Trench (Denzel Washington) e Michael “Stig” Stigman (Mark Wahlberg) são agentes da lei sem um conhecer o grau do outro. O primeiro é empregado no Departamento de Narcóticos e o segundo nas Forças Armadas (especificamente na Marinha). Os dois assaltam um banco na fronteira mexicana onde está depositado o dinheiro dos traficantes de drogas na região. Mas depois de constatarem que os cofres possuem mais dinheiro do que o previsto, ficam sabendo que o depósito que é feito regularmente nesse banco tem interesses de outros, inclusive de membros da CIA que no fim das contas fomenta o tráfico chegando a remeter drogas para outros estados e países em helicópteros e aviões. Na trama em que se envolvem descobrem suas qualificações policiais e tentam lutar contra seus próprios “patrões” para livrar a pele dos “figurões” dos dois lados da historia (traficantes e militares, pois, até um comandante naval é simpático ao grupo de contraventores).
Desconheço se no original a crítica aos órgãos de governo existe. Mas o que está no filme é diluído em termos de comédia. O absurdo das situações é tão grande que a plateia ri. E o diretor Kormákur tem prática no gênero policial como se viu em “A Fraude” (A Little Trip to Heaen, 2005), “Tráfico de Orgãos”(Inhale, 2010) e “Contrabando”(Contraband, 2012). O ponto diferente neste novo trabalho é o aproveitamento da inverossimilhança do enredo para diluir a ação com a comicidade. Seria grotesco ver a aventura dos dois personagens (ou vilões, dependendo de como possam ser vistos) sem a amostragem de peripécias dignas de figuras dos gibis. Isto é um adendo para que seja percebido que a trama deriva dos “comics”. E a dupla de atores cumpre a sua missão. Denzel e Mark estão excelentes como os mocinhos com a vez de bandidos, numa história em que eles passam de caçadores a caças.
“Dose Dupla” caricatura os chefões da máfia das drogas a partir do veterano Edward Everett Holmes como Papi Greco. Ele parece ser não só o mandante do tráfico como o único dono do dinheiro que está depositado no banco especifico que a dupla de agentes disfarçados vai ( e consegue ) assaltar. Logo se sabe que por trás dele estão os graúdos da agência de espionagem e das forças armadas. E a posição crítica desses galardões passa bem com o apoio do original de quadrinho onde se pode brincar com o que poderia parecer ofensivo. A brincadeira lembra, no seu aspecto crítico, os filmes onde os norte-americanos parecem se penitenciar de males diversos. E não se deve ir longe: no filme “Ataque”, de Roland Emmerich, o vilão principal trabalha para a indústria de armas e não hesita em derrubar o presidente dos EUA para que surja uma nova guerra e a referida indústria saia do vermelho (ou simplesmente aumente a sua capacidade de lucro).
Os atores principais parece se divertir tanto ou mais do que a platéia que assiste ao filme. Até mesmo durante um conflito pessoal quando um atira no outro, a razão disso ganha um tom de farsa. Não há perigo de um desses protagonistas sair de cena por morte ou invalidez. Podem até ressurgir em outro filme, a julgar pela bilheteria de “2 Guns”. É a melhor das impressões de que o filme em cartaz foge da mesmice pelo caminho da comédia.


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