sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

OSCAR-I


No próximo domingo, a Academia de Artes e Ciencias de Hollywood estará entregando os Oscar, premiação para os melhores filmes e diversas categorias do cinema no ano que passou. Para analisar esta premiação é preciso que se observe, primeiramente, que se trata de um certame da indústria para a indústria. Essa é a grande diferença do Oscar para os festivais de cinema, especialmente os mais tradicionais: Berlim, Cannes e Veneza, neste caso, o que pesa é o lado artístico e o aspecto criativo de filmes de diversas nacionalidades. No Oscar os filmes & categorias são tratados como produtos das produtoras norte-americanas, abrindo espaço para as de outros países no setor “filme estrangeiro” e absorvendo o que se faz na Inglaterra, pois o que vale é a língua inglesa.

A Academia de Hollywood foi criado em 1927 e o primeiro Oscar foi dado em 1929 referente aos filmes lançados em 1927/1928. A estatueta dourada ganhou esse nome segundo coentários, porque a secretária-executiva da Academia, Margareth Herique ao vê-la achou que a pequena estatua folheada a ouro era muito parecida com o seu tio Oscar. Mas há quem diga que foi Bette Davis quem achou a mesma coisa, ou seja, semelhança com um tio dela de nome Oscar.

Os premios são dados a diversas categorias: de filme a artefatos técnicos, passando pelo elenco, diretor e roteirista. Nos anos 40 criou-se uma categoria dedicada ao filme estrangeiro, ou seja, ao que não fossen falado em inglês. Outras menções surgiram com o passar dos anos mas, o que importa ao fã de cinema é a avaliação do critério oferecido pelos membros da academia que votam da seguinte forma: diretores associados em diretor, atores em atores, roteiristas em roteiristas e só na categoria “major”, a de filme, é que votam todos os associados da Academia.

Desde a sua criação o Oscar vem levantando criticas. No primeiro ano o premiado foi o filme “Asas”(Wings), de William Wellman, mas nesse ano concorria uma obra-prima que hoje é cultuada por todos os que estudam cinema: “Aurora”(Sunrise) do alemão F. W. Murnau (que em sua terra natal realizou os ícones da fase expressionista, “Nosferatu” e “Fausto”, além de ter realizado um exemplar do movimento “kammerspiel”(cinema de câmera) que foi “A Última Gargalhada”.

Ao longo dos anos, muitos títulos também mereceram restrições dos críticos e, mesmo, dos fãs. Exemplos: “Broadway Melody”(1928/29) ganhou porque o musical, uma criação da fase de cinema sonoro, entusiasmava o público. A mesma predileção pelo gênero deu o Oscar de 1936 a “Ziegfield, O Criador de Estrelas ", quando concorriam títulos do nível de “Adversidade” (vencedor na área de atriz coadjuvante - Gale Sondergard). Mas não vou me alongar na aferição dos Oscar de filme em 83 anos. Basta mencionar as mais gritantes injustiças. Charles Chaplin, Alfred Hitchcock, Orson Welles e Stanley Kubrick nunca receberam Oscar por seus filmes. Quando muito receberam premios honorários como Chaplin em 1972. Por sinal que o primeiro filme de Hitchcock na América, “Rebeca”(1940), recebeu o Oscar de filme (dado ao produtor David O. Selzick) mas o de diretor, nesse ano, foi para John Ford por “Vinhas da Ira” (filme excelente mas seria a vez de dar as honras ao “convidado” inglês).

Causou espanto quando, em 1941, o filme “Como Era Verde o Meu Vale”(How Green Was My Valley), de John Ford, ganhou o emblemático “Cidadão Kane”(Citizen Kane) de Welles. E em 1968 “2001, Uma Odisséia no Espaço”de Kubrick perdeu para o musical “Oliver”de Caroll Reed, hoje esquecido.

A análise sobre os concorrentes de agora esta em outro texto. Mas o leitor ou leitora pode manifestar sua opinião para esta coluna sobre esse tema. E encaminhar para o meu email que então publicarei.

Um comentário:

  1. Talvez seja por todas essas "injustiças" e constrastes que amamos em alguns casos detestar o " Oscar"

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