quarta-feira, 8 de agosto de 2012

OS MELHORES DA “SIGHT & SOUND”

 

O BFI ou Britsh Film Institute foi fundado em 1933, reunindo o National Archive e a Biblioteca, desempenhando funções culturais, criativas e industriais como a distribuição de filmes e publicações, exposições e festivais. Esse instituto é financiado por concessão da Lottery (UK National) para o desenvolvimento público do cinema, produção, distribuição, formação de platéia, restauração de filmes e pesquisa. Segundo as informações no site: http://www.bfi.org.uk a equipe trabalha para preservar a história e a cultura cinematográfica e televisiva, disponibilizando esse material para tantas pessoas quanto possível. Dizem-se uma ONG e dependem de apoio financeiro das pessoas que acessam esse website, para manter o acervo. A revista “Sight & Sound” é parte desse instituto. E a cada dez anos, desde 1952, ela realiza uma pesquisa mundial entre críticos e técnicos a fim de avaliar quais filmes são considerados os melhores de todos os tempos.  Foi isso o que ocorreu na edição ampliada de agosto. Reunindo 846 críticos e 358 programadores, acadêmicos e distribuidores fez um balanço sobre quais filmes, neste 2012 estavam entre os melhores.

A lista abriga 50 títulos. Por falta de espaço cito hoje alguns (amanhã prossigo). Mas espantou-me visualizar uma mudança: pela primeira vez o tradicional “Cidadão Kane”(1941) de Orson Welles deixa de ser o primeiro (“em 50 anos de reinado”, dizem eles) sendo escolhido “Um Corpo que Cai”(1958) de Alfred Hitchcock. “Luzes da Cidade” de Charles Chaplin ficou no último  lugar (50°), alías, a única criação do gênio da comédia que está mencionada pelos votantes.

Listas de melhores filmes é sempre uma demonstração de predileções. Dificilmente vota-se em um titulo que não se ama. Penso no slogan de uma distribuidora brasileira de DVD: “Leve para casa o filme que você gosta”. Isso aí, gostar. E só assim se entende a troca do clássico de Orson Welles, com a sua carga de qualidades que enriqueceu a linguagem cinematográfica, pelo suspense de Hitchcock que não é de seus melhores trabalhos. O roteiro de Alec Coppel e Samuel Taylor extraído do livro “Dentre les Morts” da dupla Boileau & Narcejac (a mesma de “As Diabólicas”) esvazia parte do mistério com a pressa em que se adentra por coincidências dramáticas. Gosto muito dos filmes do mestre Hitch, mas os meus preferidos são outros títulos.

A lista do BFI, ao que consta, é uma visão da nova época. Deixou de lado filmes que contribuíram para a leitura de imagens via narrativa. Os clássicos de Griffith, por exemplo, (“Nascimento de uma Nação”, “Intolerância”) foram esquecidos. Também as animações (nenhuma foi lembrada). Nem “Caligari” e os expressionistas básicos. Nem Visconti inaugurando o neorrealismo com “La Terra Trema”(imagino como o nosso Francisco Paulo Mendes ficaria irado ao saber que nada de Visconti ganhou espaço entre 50 produções). E onde está “Roma Cidade Aberta” de Rossellini? E “Boulevard do Crime” de Marcel Carné que os críticos franceses elegeram como o melhor filme do século XX realizado em seu país? E “Napoleão”de Abel Gance?

Todos esses filmes mencionados não são meus prediletos, mas acho impossível falar de história do cinema sem nomear o básico dessa história. Sobre o critério que foi usado para a constituição da lista da revista inglesa, trato amanhã.

Entre nós, a última aferição qualificando esse ritual foi em 2000 quando foram mencionados os filmes mais importantes do século.

Abaixo, relaciono parte dos melhores filmes escolhidos pela revista Sight & Sound (2012):

  1. Um Corpo que Cai",(Hitchcock, 1958);
  2. "Cidadão Kane", (Welles, 1941);
  3. "Era Uma Vez em Tóquio", (Ozu, 1953);
  4. "A Regra do Jogo", (Renoir, 1939);
  5. "Aurora", (F. W. Murnau, 1927);
  6. "2001 - Uma Odisséia no Espaço", (Kubrick, 1968);
  7. "Rastros de Ódio", (Ford, 1956);
  8. "O Homem da Câmera", (Dziga Vertov, 1929);
  9. "A Paixão de Joana d'Arc", (Dreyer, 1927);
  10. "8 ½" (Fellini, 1963).
  11. “O Encouraçado Potenkim”(Eisenstein/1926)
  12. “L’Atalante”(Jean Vigo,1934)
  13. “Acossado”(Godard,1960)
  14. “Apocalypse Now”(Coppola, 1979)
  15. “Pai e Filha”(Ozu,1949)
  16. “A Grande Testemunha (Bresson,1966)
  17. “Os 7 Samurais”(Kurosawa,1954)
  18. “Quando 2 Mulheres Pecam/Persona (Bergman,1966)
  19. “O Espelho” (Tarkovsky, 1974) e
  20. “Cantando na Chuva”(Stanley Donen/1951).

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