quarta-feira, 20 de novembro de 2013

CLÁSSICOS EM DESFILE

 Gene Tierney e Tyrone Power em "O Fio da Navalha" (1946). Em DVD.


Os colecionadores de filmes estão atentos. Surgem agora títulos que marcaram épocas e são reeditados, alguns do mesmo grupo. Entre estes se vê, por exemplo, “O Fio da Navalha”(The Razor’s Edge, EUA, 1946), a primeira versão sonora do livro de Somerset Maugham, tratado como autobiografia. Com direção de Edmond Goulding trata do romance entre uma socialite e um combatente, na I Guerra Mundial. Os atores Gene Tierney e Tyrone Power defendem os principais papéis ficando Herbert Marshall com a protagonização de Maugham. O livro foi refilmado em 1984 por John Byron com outros atores no elenco, como Bill Muray e Teresa Russel. A versão anterior é a mais palmeada pela critica e pelos historiadores de cinema.
Outro exemplar, “As Diabólicas” (Les Diaboliques, França, 1955), é um dos melhores filmes de Henri-George Clouzot. Quem interpreta um dos principais papéis é a brasileira Vera Amado Clouzot, então a esposa do cineasta. Sua personagem é a vitima do casal de amantes protagonizado por Simone Signoret e Paul Meurisse. Ainda hoje o filme provoca impacto em espectadores sensíveis. Uma refilmagem norte-americana foi logo esquecida e os críticos ainda hoje dizem, elogiando, que é o filme de suspense que Hitchcock não fez.
“Inverno de Sangue em Veneza”(D’ont Look Now, Inglaterra, 1973) está entre os melhores filmes de terror já realizados. Nicholas Roeg, diretor australiano, trata, de forma magistral, a odisseia do casal protagonizado pelos atores Donald Sutherland e Julie Christie, ele restaurador de ícones em antigos templos venezianos, que perde a única filha de 5 anos, afogada. O desespero toma conta da dupla e a memória da menina ganha um terreno místico ensejando um final impressionante. O roteiro baseia-se em um romance de Daphne Du Maurier. Um relançamento oportuno.
“O Circo” (El Circo, México, 1943) é o primeiro filme do comediante mexicano Mario Moreno Cantinflas que chega ao mercado de vídeo brasileiro desde que se exclua “Volta ao Mundo em 80 Dias”(Around the World, EUA, 1957), produção hollywoodana na qual esse comediante atuou. Apoiado na obra de Charles Chaplin, o filme focaliza um tipo conhecido como El Zapatero que se apaixona da bela estrela do picadeiro e que no final acaba perdendo este amor para um galã da trupe. O diretor do filme é Miguel M. Delgado que realizou quase todos os filmes com Cantinflas (e foram muitos).
Um dos meus filmes prediletos, “Amores de Apache” (Casque D’Or, França, 1952) também já está circulando. Trata-se do mais conhecido filme do diretor Jacques Becker e reúne os atores Simone Signoret e Serge Reggiani, ela desempenhando uma estrela de cabaré e ele um carpinteiro. A dança conhecida pelo nome de apache dá margem a um dos momentos marcantes do filme, que foi o vencedor do Bafta(o Oscar inglês) no ano de seu lançamento.
“A Cova das Serpentes” (The Snak Pit, EUA, 1948 ) trás, Olivia de Havilland num dos desempenhos mais marcantes que já interpretou em sua longa e elogiada carreira (ela ainda vive, aos 97 anos). É o filme dos mais aplaudidos da atriz. Candidata ao Oscar, Olivia protagoniza Virginia Cunningham, uma jovem internada num manicômio sem ser doente mental. O terror que ela passa nesse ambiente manicomial é contundente e muito bem retratado pelo diretor Anatole Litvak (responsável por outras obras marcantes como “Anastácia, a Princesa Esquecida”, 1956; “Vida por um Fio”, 1948; e “A Noite dos Generais”, 1967). O roteiro está baseado no livro de Mary Jane Ward.
“Sonho de um Sedutor”(Play it again, Sam, EUA, 1972) tem Woody Allen como ator e não como diretor. Baseado em sua peça encenada com sucesso na Broadway, Allen protagoniza o tímido Allan Felix, abandonado pela esposa e socorrido em sua solidão pelo casal amigo Linda (Diane Keaton) e Dick (Tony Roberts). Ele e Linda têm grande afinidade, mas Allan segue o seu ídolo Rick (Humprey Bogart de “Casablanca”). E como tal renuncia a um romance. A direção ficou com Hebert Ross.
Muitos desses filmes já foram exibidos em circuito de 35 mm, mas somente agora saem cópias em DVD. Muito bom revê-los.


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