sexta-feira, 8 de junho de 2012

SEMANA SEM ESTRÉIAS NO CIRCUITO

Pierre Clementi em uma cena de "Pocilga" , filme de Pier Paolo Pasolini a ser exibido no IAP, segunda feira, IAP.

Os dois circuitos comerciais da cidade – Cinépolis e Moviecom - não vão lançar filmes novos esta semana. Haverá apenas uma pré-estreia, a de “Prometheus”, a nova ficção-cientifica de Ridley Scott, lembrando o seu “Alien, O Oitavo Passageiro”.
Na área extra há o programa de musicais, no Olympia, o excelente “Violência e Paixão” no Cine Estação em suas últimas exibições de hoje a domingo, e o polêmico “Pocilga” de Pier Paolo Pasolini, no Cine Clube Alexandrino Moreira (IAP) na 2ªfeira.

Haverá, ainda, a Sessão Cinemateca do Olympia, na tarde de domingo, com o clássico “O Mágico de Oz”, de Victor Fleming, com Judy Garland.
Não vou adiantar comentário sobre “Prometheus”, bastando dizer que o roteiro enfoca astronautas terrestres em viagem a outro planeta por acharem que pinturas rupestres achadas em cavernas têm a ver com a presença de extraterrestres no passado do nosso mundo. Os fãs do gênero não vão perder. O filme chega na hora em que Ray Bradbury, o escritor de “sci-fi” está sendo lembrado visto ter falecido na terça feira última, aos 91 anos. Dele, entre tantos clássicos da literatura especifica adaptador para o cinema há o famoso “Fahrenheit 451”, filmado em 1966, dirigido por François Truffaut, com base  no livro que escreveu em 1951.

“Pocilga”(Italia, 1969) é um filme polemico de Pasolini. No argumento, um homem é preso por canibalismo, tendo comido o próprio pai. Noutra historia, o herdeiro de um industrial na Alemanha pós-guerra desgosta-se da vida em sociedade e passa a viver com os porcos em sua fazenda. No Brasil dos “anos de chumbo” o filme foi alvo de muitos cortes efetuados pela censura, mas foi exibido no Cinema I e no Cineclube APCC. O grande Pasolini sempre foi irreverente em seus temas e na narrativa que expressava os assuntos que ele considerava importantes para quebrar os modelos tradicionais que circulavam transacionalmente nos filmes. Nessa audácia de inverter os pontos da linguagem para romper o fel dos resistentes sempre foi um autor que impressionava pelos gritos que dava na arte que criava: cinema, textos, poemas. Mas somente poucos chegavam a olhar dentro dele por essa forma criativa de ser. Não fosse isso e ainda estava entre nós. “Pocilga” é um dos seus emblemas dessa irreverência com simbologias que se expressam a cada tempo.
A mostra de musicais ora em exibição no centenário Olympia tem hoje “Positivamente Millie” de George Roy Hill, com Julie Andrews, Mary Tyler Moore, John Gavin e James Fox. É uma sátira aos filmes de aventura dos anos 30 e marca a investida do diretor de “Butch Casidy” e “Golpe de Mestre” no gênero. Amanhã será a vez de “Sinfonia de Paris”, clássico premiado com o Oscar, do trio Arthur Freed (produtor), Vincente Minnelli (diretor) e Gene Kelly (ator e coreografo). No domingo, “Cantando na Chuva”, a história do cinema que focaliza a mesma época abordada agora em “O Artists”, mas com a presença de Gene Kelly atuando e co-dirigindo com Stanley Donen. Uma obra-prima.

Na próxima semana, o programa terá “Amor Sublime Amor” (West Side Story) na 3ª feira, “A Roda da Fortuna”, na 4ª, “A Opera do Malandro” na 5ª, “All That Jazz”na 6ª, “Cabaret” no sábado e “Hair” no domingo.

SHINDÔ

Esta semana morreu, além de Ray Bradbury, o diretor de cinema japonês Kaneto Shindô. Dele o paraense recorda pelo menos “Onibaba, A Mulher Diabo”(Onibaba/1964) exibido pelo cineclube APCC no Cine Guajará da Base Naval. Uma visão fantasmagórica do Japão feudal quando duas mulheres, mãe e filha, que moram num pantanal enquanto o genro/marido está numa guerra, passam a viver da renda de armas de soldados que aparecem pela região e são mortos. Uma delas usa máscara assimilando a personagem demoníaca que apavora os visitantes.
Shindô também foi aplaudido por aqui quando se viu “A Ilha Nua” (Hadaka no Shima/1960), filme sem diálogos focalizando a vida de uma família de pescadores. E já bastante idoso roteirizou “Hachiko Monogatari”(de 1987, com direção de Seijiro Kôyama), filme que os norte-americanos refizeram recentemente, dirigido por Lasse Hallstrom, com o título “Sempre ao seu lado"(2009), historia comovente de Hachi, um cachorro da raça akita, e seu dono.

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