segunda-feira, 15 de outubro de 2012

SUCESSOS DE ONTEM


Walter Mathau e Gregory Peck em "Miragem" (1965).

Dois filmes interpretados pelo ator Gregory Peck chegam em DVD às locadoras: “Miragem” (EUA, 1965) e “Pavilhão 7”. No primeiro, Peck protagoniza um homem que durante um blecaute, em NY, fica confuso e, ao se encontrar com uma mulher (Dian Baker) ao descer a escada de um prédio sem energia elétrica percebe que ela o conhece e, na descida, passa por 3 andares no subsolo. Logo depois vem a saber que esse local não existe conforme ele descreve. Este mistério embala algo muito mais sério integrado a um estado de amnésia parcial do personagem devido a uma série de acontecimentos envolvendo, inclusive, a manipulação de fórmulas químicas e industria farmaceutica que podem ser perniciosos à humanidade. Outros eventos interligados fazem do filme um thriller sempre interessante. A direção é de Edwad Dmitryk e o roteiro de Peter Stone baseado no livro de Howard Fast.
O outro filme, “Pavilhão 7” (Capitain Newman MD/EUA,1963), anterior a “Miragem”,  Peck personifica o Capitão Newman, um médico encarregado da enfermaria psiquiátrica de um hospital militar, no ultimo ano da 2ª Guerra Mundial. O enfoque maior é o coronel Norval Bliss (Eddie Albert), internado contra a vontade dos superiores do médico, mas mantido no hospital por ser responsável pela morte de muiitos soldados levados a uma missão difícil, episódio trágico causado por um surto de insanidade do militar. No plano romântico, há o tipo feminino interpretado pela atriz Angie Dickinson, investida de enfermeira militar e assessora de Newman. O filme é dirigido por David Miller e foi candidato aos Oscar de roteiro, som e de melhor ator coadjuvante a Bobby Darin, numa “ponta” que não justifica tanto entusiasmo. O diretor realizou mais de 50 filmes de gêneros variados, do melodrama juvenil “Vida de Minha Vida”(Our Very Own/1950) a suspense como “A Teia da Renda Negra”(Midnight Lace/1960). Interessante é observar que o filme chama atenção para a atitude dos militares de alta patente em relação aos soldados que enfrentam o front da guerra e que desabam em depressão no ambiente que têm que permanecer, sendo chamados de fracos e covardes ao apresentarem sintomas mórbidos.

“Uma Estranha Mulher” (La Truite/França,1982) é o penúltimo filme do diretor Joseph Losey (1909-1984). É protagonizado por Isabelle Huppert investida de uma jovem que deixa a sua província para ir ao Japão onde vive um romance com um homem casado (Jean Pierre Cassel). A esposa deste é interpretada por Jeanne Moreau. Não é nem de longe um dos melhores trabalhos do diretor de “O Menino de Cabelos Verdes”(1948), “Cerimonia Secreta” (1968) e “O Assassinato de Trotsky”(1972).
Notícia muito boa é que uma nova distribuidora está lançando uma série de filmes dos anos 1930/40. Há um titulo de um tempo anterior que estimula o cinéfilo: “Ouro e Maldição”(Greed/1924) de Erich Von Stroheim. Este ganha 2 discos que devem perfazer os quase 300 minutos da obra que em sua concepção gerou mais de 5 horas e foi radicalmente reduzida por conta dos produtores. O tema serviu mais tarde a outro clássico: “O Tesouro de Sierra Madre”(The Treasure of Sierra Madre/1948) de John Huston.

Dentre os outros filmes dessa nova distribuidora, M.D.V.R. chegam obras que se tornaram marcos da historia do cinema em diversos setores. Entre eles: ”O Véu Pintado” (1934), de Richard Boleslawski, com Greta Garbo; “Tudo Isto e o Céu Também” (1940), com Charles Boyer e Bette Davis; “Seis Destinos” (1942) com um grande elenco sob a direção de Julien Duvivier; “Piloto de Provas”(1938) com Clark Gable; “Bola de Fogo”(1941), de Ernst Lubitsch, com Gary Cooper; e “Anjo da Rua”(1928) com Janet Gaynor e a atriz brasileira Lia Torá. A distribuidora chega em boa hora nessa revisão da Hollywood de um período profícuo e geralmente elogiado pelos críticos (e hoje historiadores de cinema).

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