segunda-feira, 30 de julho de 2012

PAIS DE IMPROVISO

Os casais em "pé de guerra" para a maternagem. Chanchada.

       O que difere “Solteiros com Filhos”(Friends with Kids/EUA, 2012) das pornochanchadas nacionais? É difícil saber. A fórmula é a mesma em termos de construção de um roteiro, passando pelas falas e chegando ao processo narrativo via de regra acadêmico. Em termos históricos, esse gênero cinematográfico ocorreu em tempo datado, no Brasil, quando, nos anos 70, a censura proibia e cortava tudo o que achasse, segundo os seus próprios dizeres, “atentado à moral e aos bons costumes”. Com isso, os cineastas eram obrigados a suprimir planos de filmes, a exemplo, o clássico do nosso cinema-novo “Macunaíma” que recebeu quase 30 cortes. Para ter uma ideia da situação, foi exigido um corte numa cena de uma personagem que usava uma blusa com o logotipo do programa norte-americano “Aliança Para o Progresso”. Essa mostração seria, no entender do censor, um “desrespeito aos nossos amigos estadunidenses”.

Mas voltando à chanchada americana: na comédia escrita dirigida e interpretada por Jennifer Westfeld (4 vezes premiada, especialmente por sua atuação em“Beijando Jessica Stein”, 2001,  onde ela também funcionava como roteirista), o humor, com diálogos chulos, vem da incapacidade, ou temor, de homens e mulheres da classe média americana em constituir família. Preferem morar separados e se encontrarem periodicamente para o sexo. Nesse programa de vida, a ideia de ter filhos é uma aventura. E parece divertido, vendo, pelo menos, um amigo que se “arriscou”a isso, “produzir” um bebê e passar pelas “novidades” de trocar fraldas, aturar choro, dar de mamar, enfim, tomar conta de uma vida que no dizer do homem da história “é burra, ainda não sabe das coisas” (numa cena em que o bebê chora no colo da mãe e se aquieta com o pai).

       O filme seria um enquadramento de vida em uma cidade como Nova York, nos tempos atuais, como se desenrolava na época do cinema neorealista. Quem conhece a chamada “Big Aple” deve achar a trama mais engraçada pelas referências a bairros como o Brooklin (a moradora do centro diz que detesta ir ao Brooklin embora o namorado reflita que é Manhattam) e/ou a outros aspectos que são referidos. Para os espectadores de outra cultura, como os brasileiros, evidencia-se o enredo em si e, especialmente, a falta de jeito em tratar crianças pequenas, além do modo de encarar o cotidiano com a criança e a rotina que se estrutura num dimensionamento de afastamento entre os pais.

Mas o roteiro poderia ser menos verbal (fala-se muito), e menos vulgar. Afinal, ele deixa um conceito de personagens que se iguala a de outras pretensas comédias românticas atuais como “Juntos por Acaso”, “Amizade Colorida” e “Sexo sem Compromisso”. O tom cômico que é pretendido passa por cima do traquejo dos novos pais e cai na porfia sexual que se discute a todo tempo. Seria esta a única forma de fazer rir no cinema de Hollywood depois de abolido o Código Hays e os filmes abrirem espaço para assuntos antes vetados sistematicamente. Aos que não têm idéia desse código, ele mantinha uma censura tão rígida quanto a nossa, no período da ditadura, valendo até proibições às imagens de cama de casal, de mulher grávida, de vaso sanitário, de sangue em qualquer tipo de ferimento e de palavras que abrigavam até mesmo termos como aborto e fezes.

      “Solteiros com Filhos” inaugurou entre nós o Cine Materna, experiência bem sucedida no sudeste onde as mães podem ir com seus filhos pequenos quando não têm nenhuma condição de deixá-los em casa. O que está em jogo, nesse programa, é a socialização continuada da mãe que durante meses se retrai em casa para cuidar do bebê. Com essa iniciativa, as condições do lazer da mulher com filho pequeno se processam e ainda alcançam o pai que passa a se incluir no grupo. Interessante idéia que deve ser continuada, nos cinemas da Cinépolis, em cada última terça feira do mês.


CINEMA DE ONTEM E DE HOJE


         A variedade da programação de filmes em DVD leva a um painel da história do cinema. As locadoras receberam, por exemplo, clássicos como “Na Noite do Passado”, “Corações Enamorados”, “Encruzilhada dos Destinos” e novidades como “J.Edgar”, “Heleno”,e “Conflito das Águas”.

“Na Noite do Passado”(Random Harvest/EUA, 1941) foi candidato a vários Oscar. Baseado em um romance de James Hilton, o autor de “Horizonte Perdido”(Lost Horizon) trata de um ex-combatente da I Guerra Mundial que é levado para a Inglaterra sem memória. Depois de meses num asilo ele resolve fugir. E o faz no dia em que se comemorava o fim da guerra. No meio da multidão que festeja, nas ruas, o armistício, ele encontra uma artista de teatro de variedades que lhe presta auxilio (ele mal podia andar) e leva-o para sua casa. Nasce um romance entre os dois que logo se casam e ganham um filho. Descobrindo a sua facilidade em escrever ele chama a atenção do diretor de um jornal em Liverpool que pede a sua visita à redação. Quando ele chega à cidade e está a caminho do jornal para encontrar este editor é atropelado e recupera a memória. Reconhece, então, que é um rico herdeiro que deve chefiar uma indústria devido a morte do pai dias antes. Mas esquece dos 3 anos que viveu sem consciência. A esposa, que muito o procura, emprega-se como sua secretária e começa uma cruzada para que ele recorde que foi seu marido. O filho havia falecido.

Não conheço o romance original, mas o filme é muito bem narrado. Exemplifica aquele tipo de cinema que sabia contar uma história. E por isso seduzia plateias. Ronald Colman tem um excelente desempenho e Greer Garson mostra que sabia fazer de tudo, chegando a dançar e cantar neste exemplo de produção “séria” da MGM.

Três exemplares da fase auspiciosa da “marca do leão”(MGM) chegaram juntos às locadoras: fora este, “Noite do Passado”, mais “Mundos Opostos”, que já comentei semana passada, e “Encruzilhadas do Destino”. Este último, no original “Bhowani Junction”, é de 1956, época em que a produtora já indicava sinais de decadência. Filamdo em cinemascope no Paquistão com pretensão de ser a Índia, trata de um romance entre um oficial inglês (Stewart Granger) e uma militar mestiça (Ava Gardner). É o tempo do retorno dos ingleses colonizadores desse país, atendendo à resistência pacifica orientada por Mahatma Gandhi. As locações, com intervenção de pessoas do lugar, impressiona. Mas o roteiro é cheio de clichês e o final bem “hollywoodiano” do passado. Ava Gardner foi elogiada por um papel diferente dos que interpretava na rotina do estúdio. Vale, nos dias atuais, apenas como curiosidade.

“Heleno” (Brasil/2010, 116 min.) biografa o jogador de futebol que fez sucesso no Botafogo (RJ) dos anos 40 e que por seu gênio violento e sua intensa procura por mulheres acaba perdendo “status” (fez breve carreira no Vasco e no América) e, descoberto com sífilis, acaba seus dias em uma casa de saúde aparentando o intenso sofrimento que a doença manifesta no corpo e na mente.

O filme dá margem ao melhor desempenho de Rodrigo Santoro em sua carreira internacional. Com a aparência fisica de Heleno de Freitas, o personagem real focalizado, consegue prodígios de expressões faciais reveladas em closes. Santoro é também associado à produção do filme.

O problema, a meu ver, é o roteiro assinado pelo diretor José Henrique Fonseca, por Felipe Bragança e Fernando Castets, pecando, por exemplo, por omitir os primeiros anos da carreira de Heleno, preferindo exaurir seus encontros sexuais e sua fase de doente. De qualquer forma é um dos melhores filmes nacionais deste ano, realizado corajosamente em preto e branco como forma de se introduzir o clima de época e cenas filmadas então.

O filme não foi exibido nos cinemas de Belém. Um absurdo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

CONVITE MACABRO

Os turistas visitando a cidade abandonada em Chernobyl Diaries/EUA, 2012

       Seis estudantes em férias na Rússia resolvem programar uma visita às imediações de Chernobyl, a localidade ucraniana onde aconteceu a explosão de um reator de usina nuclear, em abril de 1986. Com um guia local eles seguem numa van, mas são impedidos de entrar na cidade abandonada desde a explosão do reator. Apesar disso, insistem. O guia deriva pela mata e eles chegam até às proximidades dos prédios abandonados. Mas nessa hora, o carro em que viajam entra em pane. E o guia-motorista resolve sair atrás de socorro. Não volta. Anoitece. E começa o drama dos estudantes. Como sair dali? Como pedir auxílio se entraram ilegalmente no lugar?

O filme “Chernobyl”(Chernobyl Diaries/EUA, 2012) filia-se ao ciclo de terror radioativo, com baixo orçamento. Um dos roteiristas, Oren Peli, é o mesmo que diirigiu “Atividades Paranormais”(2009) e escreveu o roteiro de “Atividades 2”, da série (dizem que seu interesse pela história atual surgiu quando ele viu a cidade de Pripyat num blog). Mas desta vez o método narrativo deixa a imitação de documentário, desprezando a câmera manual e a luz ambiente, para seguir a linha comum de artesanato, opção que ajuda muito ao diretor Bradley Parker, um estreante. Longe da tentação de fazer “cinema verité” no implausível, ele joga na ficção e consegue pelo menos um ritmo compatível com o gênero proposto. Não há quem possa achar enfadonho o percurso dos estudantes no local ermo, mas repositório de surpresas. O problema é justamente “essas surpresas”. Há o toque comum do gênero com os acordes incentivando os sustos dos espectadores.

 “A Bruxa de Blair” inaugurou um tipo de cinema de baixo custo, nessa linha, de faturamento certo. Mas não se diga que os “filmes de terror” sempre optaram pelo esquema de baixo orçamento e roteiros “espertos”. No programa que estava sendo exibido no Cine Olympia, e que deve retornar quando consertarem o sistema elétrico do prédio, há exemplares do produtor Val Lewton onde o preço da realização era irrisório , a metragem no limite do que se enquadra em “longa” (pouco mais de 60 minutos) e o resultado impressionava sem apelar para processos de parque de diversões para dar sustos.

“Chernobyl” não chega a ser tão ruim quanto se pode pensar. O grupo de interpretes age bem, as locações impressionam, sendo filmado na Sérvia, nos subterrâneos de Belgrado e Hungria, ambientes que sustentam a ação. Há, pelo menos, dois pontos positivos, possivel de extrair de um conjunto que numa visão apressada é um processo corriqueiro de fazer cinema sensacionalista: a vigilância da região que ainda hoje exala radioatividade existe e ganha ares de vilã no fim da história, ficando a lição de que não se deve aceitar convites para “turismo radical”(o caso de um dos rapazes que insiste na visita a Prypiat- Ucrânia, a localidade próxima de Chernobyl, contra a vontade de alguns membros da turma, inclusive o personagem Paul, seu irmão). Além disso, o novo cineasta com o seu editor se esmeram no ritmo da trama. Não perde tempo com filigranas nem detalha os “achados” na zona contaminada pela radiação. Em filmes que abordam uma pós-guerra nuclear como “A Última Esperança da Terra” (The Omega Man, EUA, 1971) refilmado como “Eu Sou a Lenda”( I am legend, EUA, 2008, com Will Smith e Alicia Braga), surgem, numa cidade devastada, seres disformes que vagam à noite, todos vítimas de efeito radioativo. Aqui esses seres podem ser imaginados pela história ambientada em Chernobyl, mas eles não surgem em detalhes para reforçar o medo do público. Os realizadores compreendem que desconhecer é mais aterrorizante do que mostrar. Com isso, o filme se torna interessante. A mim surpreendeu, pois esperava mais um exemplar de medíocres formas de assustar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A PRINCESA REBELDE

    Um novo filme de animação neste tempo de férias: “Valente”(Brave/EUA,2012). Sem dúvida está sendo bem recebido pela garotada, embora alguns adultos deslumbrados com a PIXAR, estúdio agregado à Disney, tenham se decepcionado um pouco ao comparar com as produções anteriores, os fantásticos desenhos: “Toy Story 1,2 e 3”, “Ratatouille”, “Wall E” e “Up”. O filme, em nivel de contos de fadas, está acima de “Carros 1 e 2”, produções que se curvaram à preferência do presidente da empresa, John Lesseter, por automóveis (ele coleciona carros de diversas marcas e anos).

O roteiro de Mark Andrews, Steve Purcell, Irene Mecchi e Brenda Chapman (de “O Príncipe do Egito”), com base numa história desta última (também diretora, que abandonou o filme, sendo substituida pelos dois primeiros), focaliza um reino escocês, distante no tempo e no espaço, onde a princesa Merida está preste a casar-se com alguém que os pais pretendem selecionar em uma disputa que a própria filha sugere ser de arco e flecha. Mas desde as primeiras imagens observa-se que a jovem não é de se acomodar com o casamento, como as mulheres da época (eternas donas de casa, mesmo rainhas). E com poucos anos de idade já erguia o arco e acertava as flechas em alvos. Isto a leva observar o sorteio do futuro marido com a certeza de que pode ganhar qualquer um concorrente. Como de fato ganha. Exceto de um jovem tímido que acerta por acidente. Mas isso não impede que Merida se rebele contra as ordens principalmente maternas (cujo desejo é vê-la se tornar uma dama para encontrar um príncipe encantado ) e fuja para a floresta em busca de uma bruxa (inevitável nessas histórias) que vai contribuir numa solução para dominar a prepotência da mãe. Só que a poção da bruxa transforma a rainha-mãe em um urso. Contudo, nessa transformação, muita coisa acontece como a aproximação entre mãe e filha em uma ação para proteger a família.

Há quem ache o original semelhante a “Irmão Urso”(Brother Bear/EUA,2003) de Aaron Blaise e Robert Walker, baseado numa historia de Stephen J. Andersen e mais um grupo de colaboradores. Ali um jovem que mata urso se transforma nesse tipo de animal e passa a conhecer o mundo de sua caça. No caso de “Valente”, a mãe transformada também muda o seu relacionamento com a filha (que obviamente vai “desencantá-la”).

A novidade na trama é a evidência da princesa solteira e interessada na sua própria liberdade. Ela não é como Cinderela ou Branca de Neve que vê num casamento real a sua emancipação. Merida tem autonomia e luta por ela, sabe o que quer, gosta da vida que leva. E o filme não termina com príncipe encantado levando-a para um palácio onde “será feliz para sempre”. Os personagens compõem um painel expressivo em que uma garota ruiva incentiva o interesse por ser feliz e ao mesmo tempo reconhecer o mérito dos pais, principalmente da mãe com quem tem o maior conflito. Ao reabilitar suas diferenças consegue ver os valores maternos e a comunicação entre as duas revela-se o valor maior numa visão sobre a importancia do reconhecimento da diversidade no mundo atual (alías, a PIXAR sempre deu importância aos diferentes. Cf. Toy Story, Wall-E, Ratatouille etc.).

Importante também é o curta-metragem que acompanha o filme principal, como de hábito, em se tratando de PIXAR: “Luna” (estréia do desenhista de storyboards da Pixar, o italiano Enrico Casarosa). Um pequeno poema sobre um menino que aprende com seu avô e seu pai a limpar uma estrela, imprimindo, entretanto, seu próprio modo de trabalhar.  

Infelizmente a projeção digital da sala onde estive assistindo a “Valente” (Cinépolis Boulevard 6) estava deficiente. Creio que a lâmpada do projetor tem pouca capacidade e isso prejudica muito um filme com as imagens muito escuras dificultando reconhecer melhor o ambiente. Que a empresa exibidora dote as suas salas digitais do centro (Shopping Boulevard) com a mesma capacidade das que existem no Shopping Parque inaugurado recentemente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

VARIEDADES EM DVD

 James Mason e Ava Gardner em "Mundos Opostos" (1949)

Há filmes que apesar do tempo de produção, somente agora estão circulando entre nós, graças às novas tecnologias que possibilitaram essa divulgação. Se antes algumas cópias chegavam para exibição nos cinemas comerciais e, posteriormente, atingiam a bitola 16 mm, sendo possivel chegar ao cinema doméstico ou, como se dizia, à tela pequena, hoje, o DVD tem proporcionado às empresas uma maior facilidade para transformar o padrão industrial anterior do tipo película ao meio digital. Neste caso, circulam muitos exemplares de décadas passadas e fico feliz de assistí-los, tomando conhecimento dessa produção, cujos temas, modos narrativos e outros elementos da linguagem servem de base ao melhor entendimento das imagens de ontem no hoje presente.

Nesta situação está “Mundos Opostos”(East Side & West Side/EUA, 1949). O filme reúne atores consagrados como James Mason, Barbara Stanwyck, Ava Gardner, Cyd Charisse e Van Heflin, numa história de infidelidade conjugal onde o marido infiel se diz imune da antiga amante, mas não se detém a uma recaída e vê complicar ainda mais a sua vida conjugal quando a “outra” é assassinada. Pelo elenco se avalia o cuidado que a MGM tinha com as suas produções dramáticas “classe A”, usando o preto e branco, mas colocando adiante da câmera os seus conhecidos interpretes contratados. Nesse caso, havia também outro meio de contrato comercial, geralmente exclusivo com atores/atrizes e técnicos. O filme, dirigido por Mervyn Le Roy, é um melodrama que ainda hoje chama a atenção, embora o espectador atual perceba os “furos” do roteiro e o artificialismo das filmagens, com até mesmo cenas de rua captadas no estúdio.

“A Guerra Está Declarada”(La Guerre est Declarée/França, 2011) tem seu roteiro baseado na experiência de vida da diretora e escritora Valérie Donzelli que, com o seu marido Jéréremi Elkhaim travaram uma longa batalha pela saúde de seu filho bebê, Gabriel, portador de um tumor maligno no cérebro. O caso da cura de um tipo raro de câncer foi motivo de alegria por um lado, mas o casal não suportou unido o tempo em que acompanhou o tratamento da criança. No filme, Valérie se chama Juliette e o marido Romeo. A criança passa a ser Adam e a narrativa segue uma linha documental, com poucas aberturas para a ficção. Percebe-se o drama da mãe-cineasta até pelo modo como ela encerra o trabalho, com planos da família numa praia, o menino já crescido correndo e o pai também visto em “ralenti” (câmera lenta). É um filme interessante que chegou a ser candidato ao Oscar de película estrangeira. Não foi exibido, ao que eu saiba, nos nossos cinemas.

“Isto Não é um Filme”(In Film Nist/Irã, EUA,2011) é uma ousadia iraniana. O cineasta Jafar Penahi filmou com uma pequena câmera digital a leitura de um roteiro que ia filmar e que não havia sido liberado pela censura do seu país. Seu amigo Mojitaba Mirtahmasb transferiu as imagens para um pen-drive e escondeu-o em um bolo, método para transportar o filme para fora do país. Jafar foi preso e a comunidade cinematográfica internacional protestou contra isso. O filme da leitura foi editado em DVD e chegou a fazer 68 milhões de dólares no mercado norte-americano de cinema. Com elogios da critica.

“Não Sei Como Ela Consegue”(I D’ont Konw Who she Does It/EUA,2012) prende-se ao gênero “comédia romântica” e focaliza uma jovem executiva que por seu talento vai conseguindo subir na carreira embora isso leve a se desdobrar nos afazeres domésticos, sendo ela mãe de um casal de filhos pequenos e esposa de um profissional liberal e dedicado companheiro.

O roteiro de Aline Brosh Mckenna, a mesma de “O Diabo Veste Prada” e “Compramos um Zoológico”, baseia-se num livro de Allison Pearson que teria se inspirado em realidade, ou seja, na odisséia de uma executiva. Mas o que o filme deixa como primeira impressão não é o elogio à mulher trabalhadora fora de casa sem que isso a deixe longe dos seus familiares. É muito mais um constrangimento por ela abandonar marido e filhos na busca de melhor colocação no emprego. E para isso solta elogios ao comportamento desse marido e da criança menor. São tão bonzinhos que a gente condena o excesso do trabalho materno.

Sarah Jessica Parker, a atriz principal, ganhou o Framboeza (Razzie) como pior atriz de 2012.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

FESTIVAL DE FILMES DE TERROR: ADIADO


Informamos que em decorrência de problemas técnicos no sistema elétrico no cinema Olympia, o Festival de Filmes de Terror será temporariamente suspenso. Providências estão sendo tomadas para solucionar o problema o mais breve possível.
Contamos com a compreensão de todos.

Atenciosamente
Marco Antonio Moreira
Cine Olympia

quarta-feira, 18 de julho de 2012

VAL LEWTON E VICENT PRICE: CINEMA DE HORROR

 Vincent Price, o ator de muitas caras

A nova geração (e muitos da velha, mesmo) desconhecem algumas figuras do cinema que criaram e produziram filmes do gênero horror. Nesta Mostra que ora se exibe no Cine Olympia, uma dessas figuras sobressai com três filmes, Val Lewton. Dele se apresentam: “O Túmulo Vazio”, “A Morta Viva” e “Sangue de Pantera”. Conhecendo um pouco de sua cinebiografia, consultei também o IMDB e alguns outros endereços para traçar o perfil desse produtor e diretor.
Val Lewton (1904-1951) nasceu na Ucrania e seu nome verdadeiro era Vladimir Leventon. Viajou para Berlim com a mãe uma irmã em 1906 e três anos depois seguiu para os EUA. Começou a trabalhar cedo como escritor, atuando em jornais, revistas e até publicações pornográficas. Sempre usou pseudônimo e Val Lewton foi um deles. Em 1930 atingiu o cinema. Escreveu para filmes B e em 1933 foi convidado por David O. Selznick (o produtor de “...E O vento Levou”) para trabalhar na edição. Em 1942, quando a RKO, empresa que Selzinick presidiu por um tempo começou uma série de filmes B de terror, Lewton passou a produzir. E nessa categoria promoveu diretores como Robert Wise (1914-2005) que funcionava na empresa como editor (de “Cidadão Kane” e “Soberba”de Orson Welles), Mark Robson (1913-1978) e Jacques Tourneur (1904-1977) editor de “A Queda da Bastilha” (1935) e fllho do diretor Maurice Tourneur, muito conhecido na França.

Os filmes de Lewton fizeram muito sucesso e em 1948 os estúdios o promoveram à produção da chamada “classe A”. Mas uma série de problemas reduziu a expectativa a três titulos apenas. Um desses problemas foi de saúde. Lewton morreria em 1951.
Os filmes desse produtor em exibição na Mostra do Olympia são: “O Túmulo Vazio”(The Body Snatcher/1945) aborda um capitulo da historia da medicina. O ator Boris Karloff protagoniza um anatomista que compra cadáveres desenterrados por coveiros seus conhecidos. Com direção de Robert Wise tem uma sequencia impressionante de Karlofv fugindo de policiais conduzindo uma carroça com um auxiliar e um corpo dentro dela. À medida que passa pelos desníveis da estrada o corpo vai balançando e caindo sobre ele.

“A Morta Viva” (I Walked with a Zombie/1946) é de Jacques Tourneur e focaliza a vitima de um feitiço nas Antilhas onde permanece em estado de coma até que se retire uma seta cravada numa estátua. Quando o filme foi exibido a publicidade evidenciava o gênero como um titulo proibido para menores de 18 anos (hoje passaria livremente).
“Sangue de Pantera” (Cat People/1942) é também de Jacques Tourneur e a atriz francesa Simone Simon interpreta a descendente de um povo mutante, que se transforma em pantera. O tom simbólico do argumento DeWitt Boden ganha, através de imagens expressionistas, um parâmetro incomum no tipo de filme. Por isso foi candidato ao prêmio Satelite e em 1993 ganhou na faixa de restauração. Um clássico que mereceu uma sequência pelo próprio Lewton, “A Maldição do Sangue de Pantera” (Course of Cat People;1945), o primeiro filme dirigido por Robert Wise, associado a Gunther Fisher.

No enfoque dos filmes de terror impossível negar evidência a um clássico ator desse gênero, Vincent Price ou Vicent Leonard Price Jr (1911-1993). Era um colecionador de obras de arte e um grande “gourmet”, escrevendo livros sobre culinária. Alto e elegante foi casado 3 vezes, deixando dois filhos, um com Mary Grant, a segunda esposa, e outro com Edith Barret a terceira. Em 1938 fez seu debut no cinema em pequenos papéis, sendo “Museu de Cera” (1953) seu primeiro sucesso. Mas o que lhe trouxe fama foi “O Solar Maldito (1960). Ficou marcado pela voz e a expressão facial em filmes de horror aclamados como góticos, tais como “A Mansão do Terror” (1961) e “O Abominável Dr. Phibes” (1971).
Seu filme preferido era “As 7 Mascaras da Morte” (1973), onde ele vivia um ator shakespeareano que se vingava dos críticos que o atacaram. Os últimos filmes dele foram “As Baleias de Agosto”(1987) e “Edward Mãos e Tesoura”(1990), período em que já estava muito doente dos pulmões fazendo pequena aparição e quase sem poder dublar seu personagem. Faleceu em outubro de 1993.

terça-feira, 17 de julho de 2012

UMA LONGA VIAGEM

"Na Estrada", filme de Walter Salles com base no livro de Kerouac.

Quem leu o livro de Jack Kerouac (romance cult que se tornou bíblia para toda uma geração dos anos 1960), publicado em 1957 e adquirido em 1970 por Francis Coppola para traduzir-se em matéria de cinema, tende a achar o filme de Walter Salles, “Na Estrada”(On the Road/EUA,França, 2012) uma tentativa séria de adaptar a saga de rapazes da chamada “geração beat” (não confundir com beatnik) em sua busca por uma individualidade que parecia perdida num mundo em mudanças (o final dos anos 40, ou seja, logo depois da 2ª.Guerra Mundial). O livro recebeu críticas positivas realçando a inovação da obra. Mas muitos o consideraram subliteratura imoral.

Entretanto, quem desconhece o original literário fica com a escritura adpatada por José Rivera (que trabalhou com Salles em “Diários da Motocicleta”) e com as imagens de Eric Gautier, o fotografo de “Natureza Selvagem”(Into the Wild/2007), filme de Sean Penn com grande afinidade a este novo. Gautier também fez a fotografia de “Diários da Motocicleta” e uma das qualidades de “Na Estrada” é esta habilidade de focalizar diversos ambientes, afinal, o cenário, no sentido teatral, por onde circulam os amigos da história.

Desconhecendo o original literário achei que o filme tenta obedecer ao texto original seja nos diálogos seja no enquadramento dos tipos & situações. Mas se estou certa, esta fidelidade acaba sendo excessiva e é responsável pela monotonia que cerca a narrativa.

O foco maior é Sal, alter-ego do escritor (Jack Kerouac). Ele escreve a odisseia de sua turma, e pela ética exigida a toda e qualquer obra, o filme muda os nomes originais por ficticios: Neal Cassidy se torna Dean, LuAnnne altera-se para Marylou, Carolyn Cassidy passa a ser Camille, e o poeta Allen Ginsberg será Carlo Marx. Todos jovens, procuram um sentido na vida em que o maior peso está na tentativa de sentir-se livre. Se for considerada a época em que viveram, quando a repressão se fazia sentir na classe média, mesmo no após-guerra, eles são compreendidos no modo como procuram cortar vínculos. Por isso nada melhor do que “fazer estrada”. E a primeira sequencia do filme já mostra Sal andando com sua mochila e pedindo carona em um caminhão cheio de trabalhadores rurais. Encontros com os amigos em diversas paradas ao longo dos EUA percorrendo durante sete anos a rota 66 que cruza esse país de leste a oeste, saindo de Nova York em direção a São Francisco, eles divagam entre “conversa fora” e sexo. As namoradas seguem em momentos de intimidade e também de drogas. Quem pensa que o uso de maconha e cocaína ganhou campo com a juventude dos anos 1960, com o pessoal de Woodstock, percebe que já com esses que seriam seus ancestrais já se dividia “erva” e com isso se mergulhava em noites (e dias) de orgia.

Apesar de misturar tempo e espaço de sequências e diluir com isso um teor dramático dá para se perceber que a busca é interior, que a estrada é uma metáfora para se achar o intimo. Por aí se aproxima a obra de Jack Kerouac, pelo menos a julgar vendo o filme de Walter Salles, com a de Jon Krakauer, em “Na Natureza Selvagem”, filmado por Sean Penn, onde também é focado um jovem desencontrado que sonha em viver no Alaska mesmo tendo as facilidades de ser filho de pais abastados, cursar universidade e ter namorada. A diferença é ampliar o aspecto grografico. Na busca por uma identidade Sal e amigos correm vários estados, várias estações do ano, vários tipos de pousada.

Achei o filme extremamente longo e perdido num flagrante contexto literário. Apesar de uma edição que tenta acelerar o ritmo tornando-o compatível com o tema, o conjunto é cansativo. É um longa-metragem de 136 min, requerendo muita paciência do/a espectador/a, sobretudo dos que não conseguem uma conexão com as figuras apresentadas e/ou com lentidão narrativa, e fragmentada. Não seria por aí a tradução desse emblemático “boas vidas” norte-americanos. Pelo menos em linguagem de cinema.

Essa é uma experiência de um determinado grupo de jovens e não de todos os dessa geração. O proprio Sal, no final da vida, reconhece-se angustiado e sem se encontrar, retornando para a companhia da mãe e com a esposa, para São Petersburg, na Flórida.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

UM TRATAMENTO PERIGOSO

Viggo Mortensen e Michael Fassbender protagonistas no filme de Cronenberg

Quem conhece o diretor canadense David Cronemberg de filmes como “Scanners” (1981), “A Mosca”(1986) e ”Gêmeos, Mórbida Semelhança”(1988) supõeterem mudado o título, no crédito de “Um Método Perigoso”(A Dangerous Method/Canadá 2009 ) ora em cartaz no Cine Estação.
Baseado numa peça intitulada “The Talking Cure” escrita por Christopher Hampton (que assina o roteiro), por sua vez derivada do livro ”A Most Dangerous Method” , de John Kerr, o tema do filme é a controvérsia entre os dois “monstros sagrados” da psicanálise: Sigmund Freud e Carl Jung (representados respectivamente por Viggo Mortensen e Michael Fassbender). E o resultado na tela é diferente do que o cineasta já realizou devido à sua rendição integral ao texto original. O filme é excessivamente dialogado. Mas quem o defende aponta a exigência de um tema como a psicanálise, ou a “terapia pela fala” necessária a qualquer outro recurso. Entretanto, é possivel considerar que Alfred Hitchcock abordou o assunto com o seu “Quando Fala o Coração”(Spellbound, 1945) onde ele achou um meio de tratar o discurso psicanalítico com a intromissão de imagens, no caso, concebidas por Salvador Dali, o coautor do surrealista “Um Chien Andalouz” de Buñuel e de “L’Âge D’Or”.

Há muita controvérsia na historia de que Jung teria tido relações sexuais com uma cliente, a russa Sabina Spielrein, mais tarde colega médica. E que este relacionamento tenha ajudado na ruptura com os ensinamentos de seu professor e amigo Freud. No texto de Hampton, o teor analítico passa para uma história de amor nem sempre compreendida. Naturalmente que uma obra cinematográfica não sucumbe a uma liberdade ficcional. “Um Método Perigoso” é ficção, e chega a ser irônico o titulo quando se lança a uma prévia critica da obra afirmando que é perigoso tratar de um caso de doença mental indo ao âmago da terapia, praticamente alertando que o médico pode sucumbir aos encantos de uma paciente que não mede a sua capacidade afetiva. Não é bem o caso de Jung com Sabina. Em principio, segundo o filme, ele seguiria os ensinamentos de Freud e via no quadro de esquizofrenia da paciente que lhe deram um acento sexual como causa, Sabine contava que ao ser açoitada pelo pai, aos 4 anos de idade, sentiu prazer a revelar uma atuação masoquista que seguiria seu comportamento adulto no prisma erótico. Jung teria iniciado um relacionamento com ela para testar a implicação freudiana de que todo problema mental tem raiz no sexo. Mas o roteiro (não sei se também o original literário) abre espaço para que o médico evoque outros prismas, e a controvérsia com seu mestre caiba na acepção mística que Jung não deixa de considerar. Um diálogo entre os dois psicanalistas é básico. Freud diz; ”- Não podemos sair da ciência e endossar uperstições”. Por ai os dois deixaram de afinar suas ideias.
O filme de Cronemberg usa uma fotogenia admirável para compor o espaço histórico (a Áustria do inicio do século XX) e mostra bom rendimento de atores, especialmente de Keira Knightley, Michael Fassbender (recentemente o robô de “Prometheus”), ele premiado pelos críticos de Los Angeles. Há também uma aparição de Vincent Cassel, personagem importante na trama. E se o estilo narrativo é academicamente comportado pode-se considerar que o que interessou foi o tema na história, ou o enfoque originário sobre um ramo médico. O comportamento adúltero de Jung está disposto na linha dramática a ponto de não se esmiuçar o relacionamento dele, posterior ao “caso Sabine”. Legendas no encerramento dão conta de como os personagens se comportaram além do que o filme mostrou. Responsabilidade com os fatos que pretende justificar todo o processo de produção. Um filme, afinal, interessante, sobretudo, a estudiosos do tema. Merece ser visto e discutido sem se condenar a liberdade que se deu aos fatos.

BORGNINE
Aos 95 anos morreu o ator Ernst Borgnine, vencedor do Oscar pelo neo-realista “Marty”(1955). Com 203 filmes no currículo, marcou, com a sua presença, momentos que ficaram na lembrança dos espectadores como “O Destino do Poseidon”, ”Os 12 Condenados”, ”Meu Ódio Será Tua Herança”, ou”O Vôo do Fênix”. Trabalhou até ano passado, em “The Man Who Shook the Hand of Vicente Fernandez” a ser lançado este ano. Dizia sempre que não se deve deixar de trabalhar como forma de vencer a velhice. Um ícone do cinema.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A VOLTA DO HOMEM ARANHA


 O ator Andrew Garfield que protagonizou o brasileiro Eduardo Saverin em “A Rede Social”(2009) é agora o Homem Aranha.  

A moda é de “prequel”, ou seja, revisar histórias de super-heróis (na faltade imaginação para levar adiante franquias diversas e ou “inventar” novos personagens nesse quilate). Os quadrinhos de “O Homem Aranha”, personagem de Stan Lee e sua Marvel, geraram um filme em 2002, dirigido por Sam Raimi, que em termos de bilheteria livrou a Sony (Columbia) de dívidas acarretadas por prejuízos constantes. O sucesso gerou mais dois exemplares. E quando as estatísticas comerciais apontaram a necessidade de um quarto episódio, duas importantes desistências ocorreram (por motivos comerciais que não é possível analisar sem conhecer perfeitamente o que se passou nos bastidores): do diretor Raimi e do ator Tobey Maguire. Para o espectador afastado dessas negociações isto poderia significar a inviabilidade do projeto. Mas os executivos da produtora resolveram o impasse convocando o diretor Marc Webb(“500 Dias com Ela” foi seu único longa-metragem para cinema) e o ator Andrew Garfield que protagonizou o brasileiro Eduardo Saverin em “A Rede Social”(2009).
Os roteiristas contratados, James Vanderbilt, Alvin Sargent, e Steve Kloves trabalharam a história imaginada pelo primeiro filme da série com base nas personagens dos quadrinhos. A ideia foi dar marcha à ré e voltar a focalizar a infância e adolescência de Peter Parker, o jovem estudante que é contaminado com uma droga de mistura genética, ganhando pendores de uma aranha. Não houve citação do que foi apresentado no primeiro filme da franquia afirmando agora que os pais de Peter simplesmente sumiram (viajaram, sem dizer para onde, embora um incidente tenha emergido num dado momento na casa deles, supondo-se, depois, que seriam ameaças do sócio do pai, havendo, no final, a referência à morte deles num acidente de avião). O garo, então, passou a ser criados pelos tios (papéis ingratos para celebridades como Martin Sheen e Sally Field, ela detentora de 2 Oscar). Reprisa-se, portanto, como Peter foi contaminado pelo DNA da aranha e passou a agir como super-herói.

O publico dificilmente aplaudiria um replay desde que se lembrasse do que assistiu anos atrás. Mas os produtores são espertos e Marc Webber criou um visual que lida com os efeitos digitais de ultima geração e faz prodígios, como na sequência final do combate com a metamorfose do Dr. Curt Connors (Rhys Ifans), afinal, o responsável por toda a situação básica da historia.
“O Espetacular Homem Aranha”(The Amazin Spider Man/EUA, 2012) é blockbuster de verão norte-americano destinado exclusivamente a faturar. E ainda mais com o auxilio da 3D, processo que implica na venda de ingresso mais caro.

Se o espectador esquecer o que já viu do assunto, e/ou desconhecer os filmes anteriores, pode se divertir bastante com a lenta descoberta de Peter na sua busca por uma identidade (quer saber para onde foi o pai, o que realmente ele foi fazer, aonde os resultados de sua experiência no estudo de espécies). Mais ainda porque o jovem Andrew Garfield tem um desempenho eficiente, ou seja, compõe o tipo com uma simpatia que supre perfeitamente o nerd de Tobby Maguire. A meu ver este foi o maior trunfo dos produtores. O filme não tem nada de novo, não é mais do que uma aventura de ficção cientifica a gosto de leitores de gibi e, em termos de linguagem cinematográfica, é produto industrial onde todos os elementos são usados de forma “mecânica”, sem apelar para a inteligência de quem os vê ou queira tirar alguma substância do que se mostra. No caso da relação do filme com os quadrinhos, acho que uma pessoa gabaritada nesse enfoque, o amigo Gian Danton (http://ivancarlo.blogspot.com.br/ ) daria muito subsidio para nós. Com a palavra, Ivan Carlo.
A julgar pelas bilheterias mundiais, a nova aventura do Homem Aranha é mesmo “espetacular”. Como espetáculo, é semelhante a um passeio em parque de diversões. Como cinema, é zero à esquerda. Mas ninguém duvide: vai acontecer sequência. E volta-se à rotina de um herói pelos menos 3 vezes mostrada. A Sony aposta na memória curta da platéia. E tem as suas razões ($$$$).