terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ALÉM DA VIDA















O que há de comum entre o operário norte-americano George (Matt Damon), a jornalista francesa Marie (Cecile de France) incumbida pela tv onde trabalha de realizar uma reportagem na Malásia, e um menino inglês, Marcus(George McLaren), sofrido pela perda do irmão gêmeo vitima de atropelamento? Essas personagens aprendem que existe vida após a morte e é possivel a comunicação com as pessoas que já morreram. Todas, é possivel afirmar, não são crentes na imortalidade da alma e muito menos se denominam espiritualistas. Mas todas pedem uma explicação para sí proprias sobre o fenômeno da morte.
O novo filme dirigido e produzido por Clint Eastwood tem roteiro de Peter Morgan, inglês responsável pelos “scripts” de obras importantes como “Frost/Nixon”, “A Outra”, “A Rainha” e “O Último Rei da Escócia”. Um excelente roteiro que sintetiza as histórias e as cruza no final sem forçar uma linha narrativa linear , sem usar flashbacks e sem lacunas.

Em comum, nas figuras de George e Maria há uma situação de quase-morte. Ele sofreu um acidente em criança e senta dores de cabeça, seguindo-se de cirurgias e, ao recuperar-se, houve, então, o contato com pessoas já falecidas. Ela, ao ser tragada pelas ondas do tsunami na ilha de Sumatra, escapou de morrer afogada, mas chegou a ter parada cardíaca e nesse momento viu um cenário inédito, com pessoas caminhando para um determinado lugar. O menino inglês, Marcus, inconformado pela perda do irmão a quem devotava grande afeto (eram gêmeos) procurou meios de comunicação com este, passando a pesquisar na mídia sobre a atuação de experts espiritualistas. Entre as várias visitas que fez aos tipos que visitava, descobriu os charlatões, mas não perdeu a confiança e a fé de que conseguiria comunicar-se ao menos uma vez, com o irmão.

Personagens e fatos se encontram no fim do filme. George pretende não mais ouvir as vozes do além e, rompendo uma associação com o irmão queplaneja comercializar o dom que adquiriu, viaja dos EUA para a Inglaterra onde visita a casa do escritor Charles Dickens, o seu ídolo. Encontra Marie em uma feira de escritores onde esta lança um livro escrito sobre o fenômeno que a acometera, editado em Londres após o desinteresse dos editores franceses sobre o assunto, pois a intenção era ela escrever a biografia do então presidente Mittrerand. A jornalista encontra uma médica com trabalhos publicados que apesar de cética passou a crer nas evidências pesquisadas sobre os espíritos desencarnados quando trabalhou num hospital, constatando a semelhança entre as narrativas de pessoas que sofreram morte clinica.
O gêmeo Marcus insistentemente segue George e consegue que o operário norte-americano se sensibiliza por suas perguntas. Ao aceitar a conversa, o vidente informa que seu irmão está bem, mas que está preste a deixá-lo resolver sozinho os próprios problemas. A revelação é que o irmão morto quer afastar-se e pede que o gêmeo não use mais o boné que era dele. Lembra ao irmão o lance da boina cair de sua cabeça e voar para longe quando ia tomar o metrô fazendo-o perder o vagão a procura do objeto. Esse incidente salva Marcus de morrer, pois o veículo em que viajaria foi destroçado minutos depois por uma bomba.
Eastwood, como sempre, conduz a narrativa de forma direta, simples, explorando bem o elenco e a direção de arte (assim como a trilha sonora, ele que é compositor). Realizou um filme cativante sem adentrar pelo misticismo ou mesmo explorar o veio de obras como “Ghost” e “O Sexto Sentido”. Pode-se dizer que a direção é de um descrente, embora o filme não o seja. “Além da Vida” afirma que há outro lugar para onde os espíritos migram após deixarem o corpo. As provas irrefutáveis são tiradas de fatos reais que o roteirista Peter Morgan usou para seu trabalho e que mescla a aventura, o drama e o romance.

Creio que “Além da Vida”é o primeiro bom filme exibido no Brasil este ano. Como ainda estamos nos primeiro dias de janeiro esta chegada é alvissareira. Penso que teremos melhor cinema em 2011 do que no ano passado. E a presença de Clint Eastwood já é um bom presságio. O hoje octogenário cineasta já foi cow-boy, galã de filmes policiais e de ficção-cientifica, e desde que passou a dirigir, como aluno do veterano diretor Don Siegel, alcançou um plano bem alto. Nossos votos são de que ele ainda se mantenha na profissão e, se possível, volte a atuar. É um ícone da cinematografia internacional.

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