sábado, 29 de outubro de 2011

OS MOSQUETEIROS DO REI



Três livros de Alexandre Dumas - pai (1802-1970) estão entre os mais filmados: “Os Irmãos Corsos”(1844), “O Conde de Monte Cristo”(concluido em 1844) e “Os 3 Mosqueteiros”. A ordem é crescente: “Os 3 Mosqueteiros”(foi Inicialmente publicado no estilo folhetim, no jornal Siècle, de março a julho de 1844, sendo lançado como livro no mesmo ano e reeditado em 1846) e geraram perto de 40 filmes entre produções para cinema, TV e desenho animado, (além de paródias) destinados aos dois veículos de mídia. A popularidade certamente cabe ao enredo de aventuras, palco para manifestações de ação muito caras à cinematografia desde que ela se tornou um negócio lucrativo. E para dissipar dúvidas, uma versão de “...Mosqueteiros” surgiu em 1898 na Inglaterra (“Os Irmãos Corsos” chegaram no mesmo ano por George Albert Smith nos EUA). Eram filmes curtos, como se fazia na época, e a inspiração literária prendia-se à popularidade que gozavam as obras do escritor francês.

De todas as versões de “Os 3 Mosqueteiros” as que mais satisfizeram aos leitores de Dumas foram: a de 1949, dirigida por George Sidney, um diretor de musicais, com Gene Kelly no papel de D’Artagnan; e a de Richard Lester (o cineasta que levou os Beatles à Sétima Arte com “A Hard’s Day Night”), dividida, em 1973 1974 como “Os 3 Mosqueteiros” e “A Vingança de Milady”.

Este “Os 3 Mosqueteiros”(The Three Musketeers/EUA,2011) que está ciiirculando agora nos cinemas (estreando primeiro no Brasil e só daqui a 15 dias nos EUA) é uma extravagância que atende à platéia jovem do novo século. A começar pela escolha do diretor, Paul W. Anderson, o mesmo da franquia “Resident Evil”e de outros filmes de ação como“Predador vs, Alien”. Este cineasta, um inglês de 46 anos, começou carreira em trabalhos em sua terra natal com “Shopping” (1994) uma produção independente que focalizava grupos rivais de jovens. Não entusiasmou o público e logo foi tratado como um filme “medíocre”, confirmando o qualificatvo pelo que viria a fazer:“Mortal Kombat”, “Resident Evil” , deixando apenas uma ficção - cientifica curiosa com “O Enigma do Horizonte”(1997).

O modo como Anderson vê cinema está bem expresso nesta nova adaptação da história dos valentes soldados do rei Luis XIII, aliados por contingência ao “roceiro” D’Artagnan na luta contra a ânsia de poder do Cardeal Richelieu. A base argumentaativa é a mesma do concebido pelo livro editado pela primeira vez no século XIX. Mas, as mudanças drásticas cabem aos roteiristas Alex Litvak( de “Predadores”) e Andrew Davies (de “Bridget Jones”, “O Alfaiate do Panamá” e mais 79 titulos incuindo trabalhos para a TV). E essas mudanças chegam a ser inventivas (o que dá substância ao filme dpara não se perder na mediocridade total): como dirigíveis voadores que içam caravelas e propiciam combates aéreos com direito a uma aterrissagem na torre da Catedral de Notre Dame , com direito a destruir parte desse monumento sem causar aflição aos heróicos conflitantes elo “bem público” que estão arransando.

Vê-se ainda a mudança de comportamentos de personagens, os que morrem, na versão literária não perecem adiante das câmeras. E até mesmo a infidelidade da rainha é diluída na concepção de que o Duque de Buckinham não é simplesmente um amante, mas um inglês inimigo da França e tem cancha para continuar lutando quando o filme termina (margem para uma seqüência que já deve estar sendo cogitada, dependendo da bilheteria internacional deste exemplar).

Outra “novidade” é o D’Artagnan do ator Logan Lerman, de apenas 18 anos quando filmou (hoje tem 19). Um garoto brigão, inventido e dominador dos lances de espadachins veteranos. Seu desempenho é muito eficaz no conjunto mostrando uma pleiade geracional (e não os velhos guerreiros do rei) que deve cair no agrado dos fãs de vídeo-game, possivelmente comparando os lances desta mídia com o que vêem de seus personagens atuais e se assistirem a este filme vão gostar dele.

Há mais assunto sobre “remakes” de filmes, o que estarei tratando nos próximos textos e, talvez, volte ao tema dos Mosqueteiros posto que traduzem um modismo e inventividade nas telas atuais.

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