quarta-feira, 17 de março de 2010

PERCY JACKSON E O LADRÃO DE RAIOS






A minha geração aprendeu muito de mitologia grega com a série de Monteiro Lobato “Os 12 Trabalhos de Hercules”. A escola tinha também o seu papel. Hoje, os filhos/as e netos/as ganham muitas fontes pitorescas para acessar o Olimpo com seus deuses e heróis. A mais nova fonte é o livro de Ruck Riodan de onde saiu este “Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Percy Jackson & the Olympians: Lighting Thief/EUA/ 2010).
O que poderá ser mais uma franquia da indústria cinematográfica norte-americana é espertamente acessada quando se sabe que a de Harry Potter, de J. K. Rowlins, já está no último volume, “Harry Potter and the Deathly Hallows”, lançado em 2007, e em fase de adaptação para o cinema, a ser apresentado em dois filmes, um a estrear este ano, outro em 2011.
Há uma sede de fantasia em toda juventude (seja a passada, seja a atual). A prova disso está, igualmente, na trilogia “O Senhor dos Anéis” e em “As Crônicas de Narnia” do irlandês C. S. Lewis. E em paralelo, pode-se contabilizar o fenômeno de “Twilight” (Crepúsculo), alusão aos mitos de vampiro e lobisomem com a licença do efeito mimético (jovens se vêem como os protagonistas, e isto gera a fama de atores como Robert Pattinson agora estimado como “o novo James Dean”).
“Percy Jackson” trata da aventura de um adolescente da Nova York contemporânea que descobre ser filho do deus Poseidon ( a divindade do mar) e é perseguido por estar sendo incriminado como o ladrão de um raio pertencente ao todo poderoso Zeus. Para mostrar que nada tem a ver com isso, e para seguir a mãe que é raptada pelo enviado do monte Olimpo, ele viaja atrás do verdadeiro ladrão do raio. Nessa viagem encontra diversas figuras mitológicas. Mais do que nos trabalhos de Hercules que Monteiro Lobato sintetizou para a garotada brasileira de 50/60 anos atrás, vê-se o jovem às voltas com Hades, o deus do inferno, a Medusa e seus cabelos de cobra (com o feitiço de transformar em pedra quem a vê), o herói Perseu, um filho de Hercules, enfim, os atores de um mundo maravilhoso que os gregos edificaram no berço da civilização ocidental.
O diretor Chris Columbus é um veterano que realizou, inclusive, dois filmes de Harry Potter. Em “Percy Jackson...” ele se mostra contido na trama, deixando fluir os efeitos especiais que a rigor não dizem nada de novo mas que mapeiam a história (sem esses efeitos era impossível ver as transformações das figuras divinas ou heróicas). Mas o diretor não esquece de promover, diante da juventude, os seus mocinhos: Logan Lerman como Percy, Brandon T. Jackson como Grover e Alexandra Daddario como Annabeth. Nesse grupo, a mulher mostra-se tão ou mais valente que os homens. Muito mais do que na época do Hercules de Lobato. Também se minimiza certos personagens, a observar o cão Cérbero, que na mitologia é o guardião do inferno, como um cão entre os tantos monstros que surgem para cortar o caminho de Percy.
Não li o livro original, mas as liberdades com o tesouro que é a mitologia grega são significativas e objetivam torná-la mais atraente aos olhos modernos. Não se evidencia nem mesmo as qualidades do pai do pequeno herói, e ele chega a substituir Perseu na degola da Medusa, carregando a cabeça junto com o amigo Grover, um sátiro (mostra seus pés de cabra). E afinal a Medusa é uma das atrações do filme, interpretada por Uma Thurman. Também se vê o ex-James Bond, Pierce Brosnan, como um centauro, que pode se metamorfosear e passar como professor de Percy na escola norte-americana (uma aproximação que os autores acham mais simpática aos olhos da garotada que vai assistir ao filme).
O sucesso comercial não foi o de um “blockbuster” de inverno (nos EUA) mas rendeu o suficiente para uma segunda etapa. E é possível extrair várias. A concorrência atual paira nos livros de Stephenie Meyer (de “Crepúsculo”). A não ser que outra autora surja atiçando mais velhos mitos. Ou crie novos inspirados numa farta literatura de ficção. Nesse caso, há de se perguntar por que nós, brasileiros, não entramos nessa seara? Temos tantas lendas e mitos que daria bastante cinema-espetáculo.

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