segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CONFLITOS DE AMOR


Esta semana assisti a alguns clássicos em DVD e outros nem tanto. Mas vale a referência visto que alguns nem chegam ao circuito de cinema, ficando, mesmo, no exemplar de tela pequena.
 “Conflitos de Amor” foi o título recebido nos cinemas brasileiros do original “La Ronde” do diretor Max Ophuls, com base num texto de Arthur Schmitzler. O filme é uma farsa comandada por um operador de carrossel que ao girar o brinquedo deixa circular diversos romances que têm como objetivo levar os pares ao leito. O veterano ator Anton Walbrook comanda o espetáculo. E ao longo do trajeto surgem nomes famosos do cinema europeu como Gérard Philippe, Simone Signoret, Serge Reggiani, Danielle Darrieux, Fernand Gravey, Simone Simon, Daniel Gélin, Odete Joyeux ,Isa Miranda, e Jean Louis Barrault.

Um trabalho típico de Ophuls, diretor vienense que era conhecido por orquestrar a sua linguagem como se estivesse “filmando uma valsa”. E é uma valsa de Oscar Strauss que pontua os encontros amorosos. O filme é um clássico autêntico de 1950.
Mas o título da coluna enseja pensar também em “Sonho de Amor”(Il Sogni del’Amore/Itália, 2009) de Luca Guadagnino. Aqui é o enfoque de uma família de alta riqueza de Milão que se desnuda a partir do enfoque da festa de aniversário do patriarca. Este anuncia que está deixando a sua indústria para o filho e o neto. A esposa do filho, de origem russa, não se contém com a ausência perene do marido. Acaba se apaixonando pelo melhor amigo do filho. E no meio tempo sabe que a única filha tem outra orientação sexual diferente da tradição familiar. Há tragicidade no final da história quando o herdeiro que poderia seguir os caminhos dos milionários sofre um acidente e sua mãe revela ao esposo a infidelidade. O final é operístico. Sem narrativa de forma linear como se via até então. É como se o cineasta quisesse evidenciar que o seu interesse se vale de observar a discrição de uma classe. Há quem lembre Visconti. Não é bem assim, pois a linha nos primeiros atos é francamente melodramática. Os que conhecem a obra de Douglas Sirk podem achar influência deste cineasta alemão que realizou filmes em Hollywood. Produção inédita nos cinemas locais apesar de seu grande potencial comercial.

“Um Conto Chinês” (Um Cuento Chino/Argentina, Espanha,2010) é excelente. Começa com uma cena de aparência surrealista (embora não seja assim pontuada): um casal troca juras de amor em um barco e, de um avião, cai uma vaca sobre a jovem namorada. Depois é focalizado um comerciante argentino que se apieda de um chinês que encontra no aeroporto (e só depois se sabe que é o par da jovem morta pela queda da vaca) e leva-o para a sua loja, onde também é a sua residência. A boa ação deve ser pouco tempo, mas o chinezinho não tem onde ficar. E o filme vai revelando o temperamento do argentino, suas manias, sua fuga de casos sentimentais a partir de uma desilusão amorosa. Mas o interessante é o modo como são construidas as situações a partir de tensões e contradições de personalidade onde o isolamento é responsável por sequelas de egoismo e aos poucos as culturas díspares conseguem falar a mesma língua.
Direção de Sebastian Borensztein. Outro filme de alto nível esquecido dos circuitos cinematográficos locais.

Ainda nos rol dos inéditos em tela grande está “Viagem”(Le Voyage em Douce/França, 1980) de Michel Deville. O enfoque é sobre duas amigas intimas que trocam confidências em uma viagem de recreio: Heléne(Dominique Sanda) e Lucie (Geraldine Chaplin). O roteiro original do próprio diretor privilegia as falas. Mas as atrizes são excelentes e conseguem manter a atenção do espectador com a ação limitada à paisagem. O teor erótico privilegiado não consegue diensionar convenientemente as personagens. Um filme curioso de um cineasta que surgiu no movimento “Nouvelle Vague”.
E “Minhas Tardes com Marguerithe” está sendo a sensação nas locadoras. Não deixem de assistir. Fiquei sensibilizada com o tema e o tratamento sobre a questão do idoso.

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